Ex-secretária do “Careca do INSS” diz à CPMI que tinha acesso a cofre

Brasília (DF) 25/05/2023 Instalação da CPMI de 08/01. Foram escolhidos, Arthur Maia como presidente e Eliziane Gama como relatora. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

A ex-secretária Aline Barbara Mota de Sá Cabral afirmou, nesta segunda-feira (2), à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tinha acesso ao cofre da empresa do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeita de participação em um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias.

Durante o depoimento, Aline Cabral relatou que retirava valores do cofre sob orientação do empresário e repassava o dinheiro ao motorista da empresa para pagamento de insumos. Questionada pelos parlamentares, ela disse não saber quanto era mantido no local nem a origem dos recursos.

Segundo a ex-secretária, sua atuação era restrita a tarefas administrativas. “Eu não tinha acesso a contas bancárias e não fazia pagamentos”, afirmou. Ela também declarou desconhecer o processo de enriquecimento do empresário, que, de acordo com seu relato, apresentou-se como um “empresário de sucesso” no momento da contratação.

Apesar de negar envolvimento na gestão financeira, Aline confirmou que sabia que Antunes possuía veículos de alto padrão, incluindo modelos das marcas Porsche e Mercedes-Benz.

A testemunha também negou ter feito anotações que relacionassem percentuais a agentes públicos ou participado de decisões estratégicas sobre a destinação de recursos da empresa. “Eu nunca fiz tais anotações. E quando aconteceu a operação [da Polícia Federal], não era eu a secretária dele”, declarou.

Antes do início do depoimento, Aline Cabral obteve habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, garantindo o direito ao silêncio. Ainda assim, ela optou por responder parte dos questionamentos feitos pelos integrantes da CPMI.

Durante a oitiva, a ex-secretária também negou ter comprado passagens ou repassado recursos ao empresário Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Próximos depoimentos

A CPMI do INSS também previa para esta segunda-feira o depoimento do advogado Cecílio Galvão. A comissão decidiu manter a condução coercitiva do investigado, e a oitiva foi remarcada para a próxima quinta-feira (5).

Galvão deverá prestar esclarecimentos sobre supostos contratos milionários firmados com associações investigadas por possíveis desvios relacionados a benefícios previdenciários.