Lula critica incentivos ao petróleo e defende financiamento climático em discurso no Brics

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente cobra triplicação das energias renováveis e afirma que mercado age contra a sustentabilidade ao financiar setores poluentes

Durante a última sessão da cúpula do Brics, realizada nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao financiamento de combustíveis fósseis e defendeu maior compromisso global com ações de sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. Segundo o presidente, apenas no ano passado, os 65 maiores bancos do mundo destinaram US$ 869 bilhões em financiamentos para os setores de petróleo e gás, em contradição com os objetivos climáticos.

“Oitenta por cento das emissões de carbono são produzidas por menos de 60 empresas. A maioria atua nos setores de petróleo, gás e cimento. Os incentivos dados pelo mercado vão na contramão da sustentabilidade”, afirmou Lula.

O presidente destacou a urgência de triplicar a geração de energias renováveis e duplicar a eficiência energética, como resposta ao aquecimento global, que, segundo ele, está avançando “em ritmo mais acelerado que o previsto”.

Finanças climáticas e transição justa

Lula também ressaltou a importância da Declaração-Quadro sobre Finanças Climáticas do Brics, lançada nesta segunda-feira. Segundo ele, o documento propõe modelos alternativos de financiamento e apresenta fontes de recursos voltadas para a transição ecológica dos países em desenvolvimento.

Outra aposta do Brasil, mencionada pelo presidente, é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que deve ser lançado oficialmente durante a COP30, em novembro, em Belém (PA). O fundo tem como objetivo remunerar os serviços ambientais prestados por florestas tropicais, fundamentais para o equilíbrio climático do planeta.

“Dez anos após o Acordo de Paris, ainda faltam recursos para uma transição justa e planejada”, afirmou Lula. Ele alertou que os países em desenvolvimento são os que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, os que menos têm meios para mitigar e se adaptar às consequências dos eventos extremos.

Ao encerrar sua participação, o presidente brasileiro reforçou o papel do Brics no fortalecimento da cooperação internacional para enfrentar os desafios climáticos de forma justa, solidária e eficaz.