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Ipea lança documento com mais de 180 iniciativas do Brics para fortalecer cooperação entre países-membros

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Relatório foi apresentado no 17º Fórum Acadêmico do Brics, em Brasília, e visa orientar novos integrantes e ampliar governança internacional


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou nesta quinta-feira (26) um documento que reúne todas as iniciativas implementadas pelos países-membros do Brics desde a fundação do grupo, em 2009. A publicação, que compila mais de 180 mecanismos de cooperação, foi apresentada durante o segundo dia do 17º Fórum Acadêmico do Brics (Fabrics), sediado no Serpro, em Brasília.

De acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Walter Desiderá, o objetivo do portfólio é servir como referência para os novos integrantes do bloco, além de fortalecer a governança interna e institucional do Brics, que atualmente reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e desde 2024, conta também com Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã.

“A entrega do documento é simbólica, pois essa documentação continuará em desenvolvimento, servindo como uma base de dados dos mecanismos propostos e implementados”, ressaltou a presidenta do Ipea, Luciana Santos Servo.

Cooperação global e regional em debate

O Fabrics promoveu uma série de debates com representantes de think tanks de nove países, organizados em seis eixos prioritários: saúde global, inteligência artificial, mudanças climáticas, comércio e finanças, reforma da governança internacional e desenvolvimento institucional.

Entre os temas de maior destaque, a justiça climática e os impactos ambientais sobre países em desenvolvimento, como os da África Subsaariana, ocuparam lugar central. Especialistas discutiram propostas conjuntas para a COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA).

“Temos um desafio enorme de investimento, e uma das soluções pode ser a implementação de projetos sustentáveis financiados pelo New Development Bank (NDB)”, afirmou Mulugeta Getu, coordenador do Policy Studies Institute da Etiópia.

Segurança e reformas multilaterais

Em meio aos recentes conflitos no Oriente Médio, a arquitetura de segurança internacional também foi discutida. Houve defesa de reformas no Conselho de Segurança da ONU e maior protagonismo do Sul Global nos mecanismos de governança.

“A manutenção da paz, o pacto de não agressão entre os membros e o estabelecimento de mecanismos de confiança são elementos centrais da visão do Brics”, destacou Rodrigo Morais, técnico do Ipea.

“O posicionamento precisa sair do campo retórico e se transformar em ações concretas que fortaleçam as instituições multilaterais”, completou Nirmala Gopal, professora da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

Desafios para os novos membros

A expansão do Brics em 2024 foi celebrada pelos debatedores, mas também trouxe à tona desafios estruturais e institucionais. Foram sugeridas medidas como criação de um escritório permanente, modelos institucionais mais claros e estruturas de monitoramento de resultados.

“Sem cooperação estratégica, fica muito difícil o desenvolvimento institucional”, alertou Haimanot Guangul, pesquisador sênior do Institute of Foreign Affairs da Etiópia. “É preciso se organizar, definir escolhas e entender o futuro desejado para o bloco.”

O fórum reafirmou o papel do Brics como espaço de diálogo e formulação de políticas globais, com foco na equidade entre os países e no fortalecimento da cooperação entre nações emergentes.