sexta-feira, 23 de outubro de 2026 18:18
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Apenas 5% das crianças pequenas estão vacinadas contra a covid-19 no Brasil

© Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

 

 

Doença provocou mais de 1,1 mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes em 2026; Ministério da Saúde atribui baixa cobertura à desinformação e reforça a segurança dos imunizantes.

 

 

 

Apenas 5% das crianças pequenas no Brasil receberam as três doses da vacina contra a covid-19, segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. A baixa cobertura preocupa as autoridades sanitárias, especialmente diante dos registros de mais de 1,1 mil internações de crianças menores de 14 anos por quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus e de 25 mortes entre crianças e adolescentes em 2026.

Entre os óbitos registrados neste ano, 15 foram de crianças menores de 2 anos. Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil, com doses recomendadas aos 6, 7 e 9 meses de idade. A imunização também pode ser realizada em crianças com menos de 5 anos, conforme as orientações do programa.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor do PNI, Eder Gatti, afirmou que o país dispõe de estoques de vacinas e contratos para garantir o abastecimento. Para ele, a desinformação e os discursos contrários à vacinação contribuem para a baixa adesão das famílias.

Segundo Gatti, o desafio não está apenas na disponibilidade dos imunizantes, mas também em convencer a população sobre a importância da prevenção. O diretor destacou que a disseminação de informações falsas durante a pandemia continua influenciando a decisão de responsáveis sobre a vacinação dos filhos.

Estudos reforçam eficácia e segurança

A vacinação infantil contra a covid-19 começou no Brasil em janeiro de 2022, após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde então, os imunizantes passaram a ser acompanhados por estudos sobre eficácia e segurança.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), realizada com dados de 24 cidades brasileiras, apontou que a vacinação reduziu em 97% os casos graves da doença em crianças. O levantamento reforça a importância da imunização para prevenir complicações e diminuir o risco de hospitalizações.

Além dos quadros respiratórios graves, a covid-19 pode provocar a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma complicação que desencadeia uma resposta inflamatória intensa e pode comprometer diferentes órgãos. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 2.115 casos dessa síndrome em crianças e adolescentes, com 142 mortes.

Durante os anos mais críticos da pandemia, entre 2020 e 2022, mais de 23 mil crianças de até 11 anos desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à covid-19, e 1.067 morreram.

O diretor do PNI ressaltou que as vacinas passaram por testes clínicos e continuam sendo avaliadas após a aprovação. Segundo ele, o monitoramento permite identificar possíveis eventos adversos e orientar mudanças nas estratégias de imunização, quando necessário.

De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças durante a pandemia. Não houve registro de óbitos atribuídos à vacinação nesse grupo, e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local da aplicação.

Desinformação afeta adesão das famílias

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2023, identificou que 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não haviam sido vacinados contra a covid-19. Entre os responsáveis que justificaram a decisão, quase 40% citaram medo de reações adversas ou de injeções, 22% consideraram a vacina desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

Gatti afirmou que as vacinas utilizadas no país passaram pelas etapas de avaliação exigidas e são submetidas à vigilância contínua. O diretor também destacou que a covid-19 pode provocar complicações, incluindo problemas cardiovasculares, e que a vacinação é uma das principais ferramentas para reduzir os riscos da doença.

Outro desafio apontado pelo PNI é a conservação das doses pediátricas. Os frascos precisam ser armazenados congelados e descongelados antes da aplicação. Após o descongelamento, a validade cai para dez semanas, e as doses não utilizadas dentro desse prazo precisam ser descartadas.

Cobertura de outras vacinas apresenta avanços

Apesar das dificuldades relacionadas à imunização contra a covid-19, o Ministério da Saúde registra avanços na cobertura de outros imunizantes do calendário infantil. Segundo o diretor do PNI, a regularização dos estoques e o aprimoramento das estratégias municipais de vacinação contribuíram para a recuperação dos índices.

Em 2022, durante a retomada dos serviços de saúde após a fase mais crítica da pandemia, 12 das 16 vacinas oferecidas no primeiro ano de vida apresentavam cobertura inferior a 80%. Apenas uma alcançou a meta de 90%. Em 2025, sete imunizantes superaram esse percentual.

Ainda assim, duas vacinas permaneciam com cobertura inferior a 80%, enquanto outras sete registravam índices entre 80% e 90%, conforme os dados apresentados pelo programa. Entre elas está a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

O PNI também destacou resultados preliminares positivos após a incorporação de medidas de prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por casos de bronquiolite em bebês. Desde a adoção da vacinação de gestantes e da oferta de anticorpo monoclonal para prematuros, os casos de bronquiolite em menores de 6 meses caíram mais de 50%, segundo o Ministério da Saúde.

Outra iniciativa foi a ampliação da vacinação contra a dengue, direcionada principalmente a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Além disso, o programa anunciou a substituição da vacina pneumocócica conjugada 10-valente pela 20-valente, ampliando a proteção contra diferentes tipos da bactéria pneumococo, que pode causar pneumonia, meningite e sepse.

Para o Ministério da Saúde, a ampliação da cobertura vacinal é fundamental para reduzir mortes evitáveis, prevenir complicações e diminuir a pressão sobre os serviços de saúde. No caso da covid-19, o principal desafio continua sendo aumentar a adesão das famílias à imunização infantil e combater a desinformação sobre os benefícios e a segurança das vacinas.

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