
Tecnologia reduz sons externos e oferece recursos de segurança, mas especialistas alertam que o isolamento pode representar riscos durante atividades que exigem atenção ao ambiente.
Os fones de ouvido com cancelamento de ruído estão cada vez mais presentes no cotidiano, seja no transporte público, no trabalho ou durante a prática de exercícios físicos. A tecnologia, conhecida pela sigla ANC (Active Noise Cancelling), utiliza microfones para captar os sons externos e produzir ondas sonoras inversas, reduzindo o barulho percebido pelo usuário.
Além de proporcionar uma experiência mais imersiva ao ouvir músicas, assistir a vídeos ou participar de chamadas, o recurso está disponível em modelos de diferentes marcas e faixas de preço. No entanto, a escolha do aparelho também envolve questões como conforto, adaptação ao ouvido e segurança.
Como funciona o cancelamento de ruído
Segundo Rimi, os fones com cancelamento ativo de ruído possuem microfones que captam continuamente os sons ao redor. A partir dessas informações, o sistema produz ondas sonoras que se opõem às ondas do ruído externo, reduzindo sua percepção.
“Eles emitem uma onda para o nosso ouvido para cancelar essa outra onda de som que está de fora”, explicou. O princípio se baseia na interferência entre ondas sonoras, que permite atenuar determinados ruídos do ambiente.
Além do sistema eletrônico, alguns aparelhos contam com o cancelamento passivo de ruído, obtido por meio do isolamento físico do canal auditivo. Nos modelos intra-auriculares, as ponteiras de silicone ajudam a bloquear parte dos sons externos sem a necessidade de processamento eletrônico.
Alguns fones, como determinados modelos da Apple, combinam silicone com espuma de memória nas ponteiras. O material se adapta ao formato do ouvido e pode melhorar a vedação. Geralmente, os acessórios são intercambiáveis e acompanham o produto em diferentes tamanhos.
Modelos e preços disponíveis no mercado
O mercado oferece opções que variam de modelos mais acessíveis a aparelhos de categoria premium. Durante a apresentação de algumas alternativas, Rimi destacou dispositivos de diferentes fabricantes.
Entre os modelos mais sofisticados estão o Samsung Galaxy Buds 4 Pro, na faixa de R$ 1.500, e os AirPods Pro, da Apple, com preços em torno de R$ 1.900 a R$ 2.000.
A Apple também oferece fones com design aberto, sem ponteiras de silicone, voltados a consumidores que preferem maior conforto durante o uso prolongado. A Samsung possui uma alternativa com formato semelhante.
Para quem procura uma opção intermediária, Rimi destacou os fones da Huawei, encontrados na faixa de R$ 700 a R$ 800. Segundo ele, esses aparelhos oferecem cancelamento de ruído de boa qualidade, especialmente para ouvir músicas.
Já o QCY Mellow Buds N65, com preço na casa dos R$ 300, foi apontado pelo especialista como uma alternativa de custo-benefício entre os modelos que oferecem o recurso.
Os valores são aproximados e podem variar de acordo com a loja, as promoções e a versão do produto.
Cancelamento adaptativo e detecção de sons
Alguns modelos da Huawei, Apple e Samsung possuem sistemas de cancelamento adaptativo, capazes de ajustar o isolamento de acordo com os sons identificados no ambiente.
“Quando eles veem algum som muito alto perto de você, eles liberam esse som para que você possa ouvir”, explicou Rimi.
Determinados aparelhos da Apple e da Samsung também contam com recursos específicos para detectar sirenes. Ao reconhecer esse tipo de alerta, o fone pode reduzir ou interromper o cancelamento de ruído e ativar o modo de transparência, que permite a entrada dos sons externos.
Apesar dessas funcionalidades, a detecção depende dos recursos e das configurações de cada aparelho. Por isso, ela não garante que todos os sons importantes sejam identificados ou percebidos pelo usuário.
Uso durante exercícios exige atenção
Mesmo com os recursos de segurança, Rimi não recomenda o uso de fones com cancelamento de ruído durante atividades que exigem atenção constante ao ambiente, como andar de bicicleta ou praticar esportes em locais movimentados.
“Ele vai te mostrar o som de uma sirene, mas e se tem uma criança gritando ou você ouve pessoas conversando e sabe que eles vão atravessar a rua?”, questionou.
A preocupação é que o isolamento sonoro dificulte a percepção de situações que exigem uma reação rápida. Mesmo quando o aparelho consegue identificar determinados alertas, outros sons importantes podem passar despercebidos.
Por isso, em ambientes com trânsito ou circulação de pessoas, é importante priorizar a percepção dos sons ao redor e evitar depender exclusivamente dos recursos automáticos do fone.
Conforto é uma das principais reclamações
Segundo Rimi, uma das queixas mais comuns entre usuários está relacionada ao desconforto causado pelas ponteiras de silicone dos fones intra-auriculares, especialmente após longos períodos de utilização.
Para quem sente incômodo com esse tipo de encaixe, os modelos de design aberto, sem borrachinhas, podem ser uma alternativa. Esses aparelhos não vedam o canal auditivo da mesma forma que os intra-auriculares e permitem maior entrada de sons do ambiente.
A escolha, portanto, depende das prioridades de cada consumidor: enquanto alguns buscam maior isolamento para ouvir músicas ou trabalhar, outros preferem conforto prolongado e mais contato com os sons externos.










