
Influenciadora afirma ter sofrido humilhações e violência policial durante a detenção; ela foi liberada na quarta-feira (21) e diz enfrentar crises de pânico.
A influenciadora digital Malévola Alves, de 22 anos, relatou ter sofrido abusos e humilhações durante o período em que ficou presa no Egito. Em publicações feitas nesta quinta-feira (22), no X, antigo Twitter, a criadora de conteúdo afirmou que a detenção esteve relacionada ao fato de ela e uma amiga serem mulheres trans. As duas foram liberadas na manhã de quarta-feira (21).
“Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans. Vocês não estavam lá, não acreditem no que vocês veem na internet”, escreveu Malévola.
A influenciadora também afirmou ter sido obrigada a ficar nua durante a abordagem e relatou que recebeu tratamento diferente depois que os policiais perceberam sua anatomia. Segundo ela, a experiência provocou crises de pânico e agravou seu sofrimento emocional.
“Eu disse que não era trans. Só Deus sabe o que eu passei. Eu estou com crise de pânico, tenho ansiedade e depressão. Chegando no Brasil, vou direto ao médico. Estou tendo crise a todo momento”, declarou.
Em outra publicação, Malévola afirmou que ela e a amiga teriam sofrido abusos por parte de policiais durante a permanência na delegacia. A influenciadora também criticou as reações de pessoas nas redes sociais diante dos relatos.
“Eu fui muito humilhada”, diz influenciadora
Antes das publicações no X, Malévola compartilhou um vídeo em que aparece emocionada e afirma que ainda estava abalada com o ocorrido.
“Eu fui muito humilhada, muito humilhada. Eu não paro de chorar desde que eu cheguei aqui no Marrocos. Eu vou gravar um vídeo contando tudo”, disse.
A influenciadora afirmou que pretende divulgar mais detalhes sobre o episódio. Até o momento, os relatos de violência e discriminação foram apresentados por ela nas redes sociais.
Entenda o que aconteceu
Segundo o Ministério do Interior do Egito, Malévola Alves e a amiga foram presas em Alexandria após uma investigação envolvendo vídeos que circularam nas redes sociais.
A pasta divulgou imagens que teriam motivado a apuração. De acordo com a versão oficial, durante o interrogatório, as duas teriam confessado os atos investigados e admitido que gravaram e publicaram os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações.
O caso ganhou repercussão por envolver duas brasileiras e pelas denúncias feitas pela influenciadora após a liberação. Malévola afirma que a detenção foi marcada por discriminação e violência, acusações que não foram confirmadas de forma independente nas informações divulgadas até o momento.
Itamaraty acompanha o caso
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil no Cairo acompanha o caso desde a noite de terça-feira (20), quando recebeu o chamado por meio do plantão consular no Egito.
Segundo o Itamaraty, a representação diplomática prestou assistência consular às influenciadoras e a seus familiares no Brasil, oferecendo orientação jurídica e auxiliando na comunicação com as autoridades locais.
As duas brasileiras foram liberadas na quarta-feira (21). Malévola, por sua vez, afirma que continua enfrentando consequências emocionais após a detenção e que pretende procurar atendimento médico ao retornar ao Brasil.










