segunda-feira, 19 de outubro de 2026 14:14
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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro tem provocações e embates sobre segurança e direitos sociais

© Renato Pizzutto/Band

 

 

Encontro na TV Bandeirantes foi marcado por acusações, divergências sobre propostas de governo e intervenções dos mediadores; suspeita de bomba no estacionamento mobilizou a Polícia Militar de São Paulo.

Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste domingo (18), de um debate promovido pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por provocações, acusações mútuas e discussões sobre segurança pública, saúde, direitos trabalhistas e relações internacionais. Em diferentes momentos, os mediadores precisaram intervir para organizar as falas.

No primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões que, segundo o presidente, teriam sido recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro. Também levantou questões relacionadas à defesa de um acusado de assassinar uma criança, à proximidade com pessoas ligadas aos assassinatos da vereadora Marielle Franco, à identificação numérica de cápsulas de munição e ao voto contrário à ampliação da licença-maternidade durante o mandato de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Flávio não respondeu diretamente a esses questionamentos e direcionou suas críticas ao governo federal e ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, investigado por suposta participação em um esquema de tráfico de influência. O senador também responsabilizou a gestão Lula por irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na discussão sobre segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas e prometeu criar 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito. Lula, por sua vez, reafirmou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública para coordenar ações entre municípios, estados e União e ampliar a participação do governo federal no enfrentamento à criminalidade.

SUS e condução da pandemia

No segundo bloco, os candidatos discutiram o papel do Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio afirmou que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para o Ministério da Saúde. A proposta, segundo o senador, seria levar ao sistema público um modelo de atendimento inspirado na instituição privada.

Lula questionou se o adversário pretendia privatizar o SUS e afirmou que Flávio desconhecia a realidade dos serviços públicos de saúde. O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro, entre 2020 e 2022, e citou as mais de 716 mil mortes registradas no Brasil no período.

Segundo Lula, parte das mortes poderia ter sido evitada se o governo anterior tivesse seguido as orientações científicas e agilizado a compra de vacinas. Flávio defendeu a gestão do pai, argumentando que a pandemia representou uma situação inédita e que Bolsonaro teria feito o possível para enfrentá-la.

Durante a discussão, Flávio interrompeu Lula em um momento no qual não tinha a palavra. A jornalista Adriana Araújo, que mediava o encontro ao lado de Eduardo Oinegue, precisou intervir.

Saídas temporárias e direitos dos condenados

A política de saídas temporárias de presos também provocou divergências. Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar em Minas Gerais para criticar o benefício, conhecido como “saidinha”. O candidato acusou Lula de priorizar os direitos dos condenados em detrimento da segurança das vítimas.

Lula defendeu a manutenção das saídas temporárias para presos com bom comportamento e em processo de ressocialização, mas argumentou que condenados por crimes graves, como estupro e violência contra mulheres, não deveriam receber o benefício.

O presidente também associou a discussão à possibilidade de um indulto para Jair Bolsonaro, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à organização criminosa. Lula argumentou que uma medida desse tipo poderia ter consequências para outros condenados.

Escala 6×1 entra na discussão

O fim da escala de trabalho 6×1 foi outro tema de confronto. Flávio declarou ter passado a apoiar a proposta depois de ouvir trabalhadores, embora anteriormente se posicionasse contra a mudança.

“Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião”, afirmou o senador ao justificar a mudança de posição.

Lula reagiu com críticas à experiência do adversário com os serviços públicos e o mercado de trabalho. O presidente afirmou que Flávio não conhecia a rotina dos trabalhadores e questionou sua experiência profissional.

Lula desafia adversário a abrir sigilos

No terceiro bloco, Lula elevou o tom ao desafiar Flávio a apresentar os sigilos bancário e telefônico de ambos, incluindo os de seus familiares, para que eventuais irregularidades fossem investigadas antes das eleições.

“Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, declarou o presidente.

Flávio disse não ter nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados por Lula. Em seguida, acusou o presidente de manter recursos fora de suas contas bancárias, sem apresentar provas durante o debate.

A discussão também avançou para a política externa. Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias e equipamentos tecnológicos. O presidente acusou a família Bolsonaro de se subordinar a interesses norte-americanos.

Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras, apesar dos apelos de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, em favor de medidas tarifárias contra exportações nacionais.

Segurança pública e tecnologia

Flávio voltou a defender o endurecimento das políticas de segurança, com a ampliação do monitoramento por câmeras com reconhecimento facial em todo o país e punições mais rigorosas para criminosos.

Lula rebateu citando iniciativas de seu governo, como o programa Celular Seguro, voltado ao bloqueio de aparelhos roubados. O presidente também criticou o adversário por apresentar propostas que, segundo ele, repetem medidas já adotadas ou em execução.

Suspeita de bomba mobiliza polícia

Após o encerramento do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar de São Paulo, foi acionado para averiguar uma suspeita de bomba em um veículo no estacionamento da emissora, que seria ligado à equipe de Flávio Bolsonaro.

Durante a operação, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar o local. Depois de uma varredura, nenhum artefato suspeito foi encontrado, e a área foi liberada.

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