sábado, 10 de outubro de 2026 19:19
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Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina contra malária por P. vivax

© Portal Biologia/divulgação

Desenvolvido pela UFMG com tecnologia nacional, imunizante Vivaxin começará a ser avaliado em 48 voluntários; Brasil registrou mais de 118 mil casos da doença em 2025.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida no Brasil contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. O imunizante utiliza tecnologia 100% nacional e foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o Ministério da Saúde, o projeto tem incentivo previsto de R$ 12 milhões para a realização de ensaios clínicos das fases I, II e III. A autorização representa um avanço na busca por uma vacina contra a espécie de parasita responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil.

A primeira etapa dos testes avaliará a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica. O estudo contará com 48 voluntários de 18 a 59 anos, sem histórico de infecção prévia, que serão acompanhados clinicamente durante 360 dias.

Em comunicado, o Ministério da Saúde destacou a importância do avanço científico diante da incidência da doença no país. Em 2025, foram registrados 118.037 casos de malária no território nacional.

Atualmente, as duas vacinas contra a doença recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, parasita predominante na África. A Vivaxin tem como alvo o Plasmodium vivax, encontrado principalmente nas Américas e na Ásia.

Como a malária é transmitida

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos aos seres humanos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. A transmissão ocorre principalmente nos períodos do entardecer e do amanhecer, quando esses mosquitos estão mais ativos.

A doença não é contagiosa: uma pessoa infectada não transmite a malária diretamente para outra por contato cotidiano.

Também conhecida como impaludismo ou paludismo, a enfermidade pode provocar episódios de febre, calafrios, tremores e outros sintomas. Pessoas que tiveram infecções anteriores podem desenvolver imunidade parcial, apresentando manifestações menos intensas ou até ausência de sintomas. Isso, porém, não significa proteção completa contra a doença.

O Ministério da Saúde alerta que, sem tratamento adequado, pessoas infectadas podem permanecer como fontes de infecção por meses ou anos, dependendo da espécie do parasita.

Amazônia concentra a maioria dos casos

No Brasil, a maior parte dos registros de malária ocorre na região amazônica, que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Nas demais unidades da Federação, classificadas como região extra-amazônica, as notificações são menos frequentes. Ainda assim, a doença exige atenção, pois a letalidade nessa região é maior do que na Amazônia, segundo o Ministério da Saúde.

O desenvolvimento da Vivaxin poderá ampliar as possibilidades de prevenção contra a malária por P. vivax. No entanto, a vacina ainda precisa passar pelas etapas de avaliação clínica para que sua segurança e eficácia sejam estabelecidas.

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