
Charles Mendlowicz projeta um cenário desafiador para a economia brasileira, com risco de explosão da dívida pública e compressão dos investimentos
A definição das urnas trouxe à tona velhas discussões e dilemas para a trajetória econômica do Brasil. Diante da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e das reações imediatas nos ativos locais, investidores e mercado financeiro voltam suas atenções para as bases estruturais do país: equilíbrio fiscal, trajetória da dívida e condução da política monetária.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, a leitura do novo ciclo presidencial exige um resgate histórico para compreender a fundo as dinâmicas de mercado que estão por vir.
Ao avaliar os primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os desdobramentos que culminaram na recessão do governo Dilma Rousseff, Mendlowicz pontua que o ambiente internacional de duas décadas atrás era significativamente mais favorável do que o cenário atual.
“No período entre 2003 até o segundo mandato do Lula, o Brasil cresceu bem. Foi uma época interessante, com picos acima de 5% de crescimento e destaque para 2010, que foi um bom ano para o país. Mas isso tem uma explicação que não pode ser ignorada, o ‘vento a favor’ chamado China. Em 2009, a China havia passado os Estados Unidos e se tornado o maior parceiro comercial do Brasil”, destaca o economista.
Charles adverte, contudo, que o crescimento daquela época trouxe fragilidades operacionais que se refletiram no período seguinte. “Para fazer o Brasil crescer, o Lula fez o possível e o impossível. Então, parte dos problemas enfrentados pela Dilma foram herdados pelo Lula, esse é um ponto de atenção”, afirma.
Comparando com o momento econômico recente, Mendlowicz observa que os vetores de sustentação mudaram de maneira expressiva: “Os governos Lula 1 e 2 foram beneficiados pelo cenário internacional. A casa estava arrumada, a China estava crescendo, e ele soube aproveitar este momento até que, depois, tudo deu errado durante o governo Dilma. Agora, na reta final do governo Lula 3, o país está endividado, com juros elevados e carga tributária recorde”.
Dívida pública é armadilha e impacta a carteira dos investidores
O cerne das preocupações do Economista Sincero para os próximos anos reside no avanço do endividamento público e na manutenção das taxas de juros em patamares elevados para conter prêmios de risco e inflação.
“Existe um problema fiscal no Brasil e não é prudente continuar aumentando os impostos. A população não aguenta mais, isso é um problema seríssimo. À medida que o país avança paro o novo mandato presidencial, o governo se vê diante do compromisso e equilibrar as promessas de campanha com a realidade fiscal”, alerta Mendlowicz.
A consequência direta da degradação das contas públicas incide sobre a capacidade do Estado de financiar a si mesmo sem estrangular o setor produtivo, como explica o economista. “Com a dívida pública ultrapassando marcas históricas, o custo do financiamento vai se transformando em uma bola de ferro que trava o crescimento. O grande custo do Brasil hoje é o juro sobre as dívidas. E o dilema do governo é: cuidar dos gastos ou entregar o que foi prometido durante a campanha?”, questiona.
Para quem investe e busca proteger o patrimônio, o economista reforça a prudência frente a um horizonte de incertezas. “O cenário econômico tende a ser desafiador, com mais dívidas, mais impostos e risco de uma forte crise em 2028 e 2029”, conclui Mendlowicz, apontando que a clareza sobre os nomes que conduzirão a equipe econômica será determinante para definir a rota dos ativos no país.
Sobre o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é economista formado pela UERJ, com MBA em Gestão Estratégica (UFF) e MBA em Logística (FGV), com 30 anos de experiência no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir” e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro – Entenda por que seu amigo burro tem mais dinheiro do que você”.
Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.










