
Petista venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno após campanha marcada por mobilização nas redes sociais e manifestações de rua; entre as propostas estão aumento real do salário mínimo, investimentos em saúde e educação e criação de ministério da Segurança Pública.
Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República. Candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ele venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2026, após uma campanha que ganhou força nas últimas semanas, com mobilização nas redes sociais e manifestações de rua em diversas cidades brasileiras.
Com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula tinha 51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863 votos. A vitória foi consolidada após uma disputa marcada pela polarização política e pela intensificação das estratégias de comunicação das duas campanhas. Na apuração final, o presidente foi confirmado reeleito com cerca de 51,8% dos votos válidos. <Cite refs={[“turn959289news5″,”turn959289news21”]}/>
Redes sociais e mobilização nas ruas
A campanha de Lula intensificou a presença nas redes sociais durante o segundo turno. O presidente passou a publicar vídeos em formato selfie, com uma linguagem mais informal e mensagens direcionadas diretamente aos eleitores.
Um dos destaques foi a participação do deputado federal André Janones (Rede-MG), que organizou o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp. Segundo as informações divulgadas durante a campanha, a iniciativa reuniu mais de 10 milhões de pessoas e ajudou a ampliar o alcance das mensagens favoráveis ao candidato.
Paralelamente, movimentos sociais e estudantes organizaram manifestações em dezenas de cidades. Os atos reuniram apoiadores e produziram imagens de ruas tomadas por bandeiras e roupas vermelhas, que ganharam repercussão nas redes sociais.
A combinação entre mobilização digital e presença nas ruas marcou a reta final da campanha petista e contribuiu para ampliar a visibilidade do candidato no segundo turno.
Propostas para o novo mandato
O plano de governo de Lula prevê a continuidade e a ampliação de políticas públicas implementadas nos últimos anos, com propostas voltadas a áreas como economia, saúde, educação, segurança pública e relações internacionais.
Entre as principais medidas apresentadas está o compromisso de manter o salário mínimo com reajustes acima da inflação, buscando ampliar o poder de compra dos trabalhadores.
Na área de segurança pública, Lula propôs a criação de um ministério específico para o setor. A iniciativa pretende ampliar a participação do governo federal na formulação e na coordenação de políticas de segurança, atualmente executadas em grande parte pelos estados.
Na saúde, o programa prevê a criação de uma ampla rede pública de atendimento oncológico, descrita pela campanha como “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”. A proposta inclui investimentos em diagnóstico, tratamento, equipamentos modernos e atualização das opções de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
Pé-de-Meia e expansão do acesso à educação
Na educação, uma das propostas é ampliar o programa Pé-de-Meia, com a criação de novas modalidades, entre elas o Pé-de-Meia universitário.
Criado em 2024, o programa original oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio público para estimular a permanência na escola e a conclusão dessa etapa de ensino.
A proposta de expansão pretende levar o modelo de incentivo financeiro a outros níveis de formação, com o objetivo de apoiar estudantes e reduzir obstáculos econômicos à continuidade dos estudos.
Relações internacionais e desenvolvimento econômico
Na política externa, Lula reafirmou o compromisso de manter relações diplomáticas e comerciais com diferentes países, com foco na ampliação dos mercados para os produtos brasileiros.
Durante a campanha, o presidente também destacou a necessidade de fortalecer a indústria nacional e ampliar a capacidade produtiva do país. O discurso incluiu a defesa da diversificação das exportações e da busca por novas oportunidades comerciais.
A posição foi apresentada em meio às tensões comerciais provocadas pelo chamado “tarifaço” imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula defendeu negociações diplomáticas e a preservação dos interesses econômicos brasileiros.
Da metalurgia à Presidência da República
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula trabalhou como metalúrgico antes de ingressar na política. Formou-se torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ganhou projeção nacional ao liderar o movimento sindical no ABC paulista durante a década de 1970.
Naquele período, participou de grandes greves de trabalhadores e se tornou uma das principais lideranças sindicais durante o processo de redemocratização do país. A trajetória também foi marcada pela defesa de direitos trabalhistas e pela oposição à ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores. Seis anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo, após participar da mobilização pelas Diretas Já, movimento que reivindicava eleições diretas para a Presidência da República.
Lula disputou a Presidência em diferentes ocasiões até vencer a eleição de 2002. Governou o país entre 2003 e 2010, período marcado pela ampliação de políticas sociais e por iniciativas de combate à fome e à pobreza.
Em 2018, foi preso no contexto dos processos relacionados à Operação Lava Jato e permaneceu detido por 580 dias. Posteriormente, as condenações que fundamentaram a prisão foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e declarou a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos processos.
Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro e voltou à Presidência em janeiro de 2023. Com a reeleição em 2026, alcança um quarto mandato presidencial, considerando os dois períodos entre 2003 e 2010 e os mandatos iniciados em 2023 e 2027. Durante a campanha, afirmou que pretende fazer deste último período seu encerramento à frente do Executivo federal.










