
Pressão no trabalho, dificuldades financeiras e problemas familiares podem desencadear alterações hormonais e inflamações; especialistas recomendam cuidados diários e acompanhamento dermatológico.
Problemas no trabalho, dificuldades financeiras e conflitos familiares podem afetar não apenas a saúde mental, mas também a pele. O estresse acumulado pode provocar alterações hormonais e influenciar o funcionamento do sistema imunológico, favorecendo processos inflamatórios e agravando condições dermatológicas preexistentes.
Em entrevista à CNN Brasil neste domingo (25), o dermatologista Raul Cartagena explicou que os efeitos podem aparecer na forma de espinhas mais inflamadas, feridas, coceira persistente e crises mais intensas de doenças como dermatite, acne e psoríase.
“Em pessoas predispostas ou que já apresentam alguma condição dermatológica, ele pode contribuir para a piora dos sintomas. Por isso, é importante avaliar o quadro como um todo”, afirmou o especialista, que também é consultor da marca de dermocosméticos TheraSkin.
Apesar dessa relação, o estresse não é a única causa de problemas de pele. Fatores como genética, alimentação, alterações hormonais, medicamentos e uso inadequado de produtos dermatológicos também podem contribuir para o surgimento ou agravamento das lesões.
Por que o estresse pode provocar acne?
Durante situações de estresse, o organismo ativa mecanismos hormonais que envolvem a liberação de substâncias como a corticotropina e alterações nos níveis de cortisol.
Essas mudanças podem influenciar a produção de sebo, substância oleosa produzida pelas glândulas sebáceas. Quando há excesso de sebo associado ao acúmulo de células mortas e à obstrução dos poros, aumenta a possibilidade de surgimento de cravos e espinhas. A inflamação também pode tornar as lesões mais avermelhadas e dolorosas.
Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, manter hábitos saudáveis e buscar formas de controlar o estresse pode contribuir para a saúde da pele. No entanto, o controle da tensão emocional não substitui o tratamento dermatológico quando ele é necessário.
Outros fatores que favorecem o aparecimento da acne
Além do estresse, diferentes fatores podem contribuir para o desenvolvimento da acne ou intensificar os sintomas:
- Histórico familiar: a genética influencia a predisposição individual à acne.
- Alterações hormonais: mudanças durante a puberdade, a gravidez e o ciclo menstrual podem aumentar a produção de sebo.
- Bactérias: a Cutibacterium acnes, anteriormente chamada de Propionibacterium acnes, faz parte da microbiota da pele e pode participar do processo inflamatório quando há obstrução dos folículos.
- Fatores externos: alimentação, determinados medicamentos e produtos inadequados para o tipo de pele podem agravar o quadro em algumas pessoas.
Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto de fatores envolvidos, em vez de atribuir o problema exclusivamente ao estresse.
Lesões na pele podem afetar a autoestima
As consequências dos problemas dermatológicos também podem ultrapassar o aspecto físico. Lesões aparentes, inflamações e marcas na pele podem afetar a autoestima, aumentar a insegurança e provocar ansiedade.
Esse impacto pode formar um ciclo: o estresse contribui para o agravamento de determinadas condições dermatológicas, enquanto as alterações na aparência podem gerar mais preocupação e tensão emocional.
Um levantamento realizado pela Darrow em parceria com a AtlasIntel, divulgado no início de outubro, apontou que cerca de 41,7% dos jovens de 16 a 25 anos afirmaram já ter deixado de realizar alguma atividade cotidiana por causa da acne.
O estudo também identificou outras preocupações relacionadas à aparência, como peso e formato do corpo, dentes e sorriso, olheiras, manchas, marcas na pele e oleosidade excessiva no rosto.
Os dados reforçam a importância de considerar os efeitos emocionais das doenças dermatológicas, especialmente entre os jovens.
Como cuidar da pele durante períodos de estresse?
Uma rotina simples e regular de cuidados pode ajudar a preservar a barreira de proteção da pele e reduzir a irritação. Entre as principais recomendações estão:
- Limpeza adequada: higienizar o rosto com produtos apropriados para o tipo de pele, evitando lavagens excessivas.
- Hidratação: utilizar produtos que ajudem a manter a barreira cutânea, inclusive em peles oleosas.
- Evitar manipular lesões: espremer espinhas ou coçar a pele pode aumentar a inflamação e favorecer o aparecimento de marcas.
- Sono adequado: manter horários regulares de descanso ajuda no bem-estar geral.
- Atividade física e pausas: incorporar exercícios e momentos de relaxamento à rotina pode contribuir para o controle do estresse.
- Escolha dos produtos: evitar cosméticos que provoquem irritação ou que não sejam adequados às necessidades da pele.
Se as lesões persistirem, a coceira se intensificar ou houver piora de uma condição já diagnosticada, a orientação é procurar um dermatologista. O profissional poderá identificar as causas prováveis e indicar o tratamento adequado para cada caso.










