
Leandro Grass e a sacolinha: sustentabilidade no discurso, conta para o consumidor
O consumidor brasiliense que nunca se esqueceu de sair do supermercado com as compras e voltar para casa com as sacolas agora tem mais um motivo para se lembrar de Leandro Grass (PT). O candidato ao Governo do Distrito Federal é autor da legislação que restringiu a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis no comércio local.
A medida foi instituída pela Lei nº 6.322/2019, de autoria do então deputado distrital, e complementada pela Lei nº 6.864/2021. As normas restringiram a distribuição gratuita e a comercialização de determinados tipos de sacolas plásticas descartáveis, incentivando o uso de alternativas reutilizáveis, biodegradáveis e biocompostáveis.
Não somos contra alternativas sustentáveis nem contra a preservação ambiental. O problema é quando a conta acaba, mais uma vez, no bolso do consumidor. Com o custo de vida cada vez mais alto, qualquer despesa adicional pesa no orçamento das famílias. Afinal, comprar alimentos já virou um desafio para muita gente, e até a sacola necessária para transportar as compras pode representar mais um gasto.
Segundo o dado citado no debate sobre o custo de vida, o aumento no preço dos alimentos é o maior impacto financeiro no orçamento de 44,2% dos brasileiros. Nesse cenário, cabe perguntar: ao criar restrições às sacolas plásticas, houve preocupação suficiente com o impacto econômico para quem precisa fazer compras todos os dias?
Na teoria, a proposta tem uma justificativa ambiental: reduzir o descarte de plástico e estimular práticas mais sustentáveis. Na prática, porém, o consumidor precisa lembrar de levar sua própria sacola, carregar as compras nas mãos ou pagar por alternativas oferecidas pelos estabelecimentos.
E aqui está o ponto central da crítica: se a sacola deixou de ser fornecida gratuitamente, quem passou a ganhar com essa mudança? O consumidor recebeu alguma vantagem financeira? Os estabelecimentos passaram a oferecer alternativas acessíveis? Ou a sustentabilidade virou mais uma conta para quem já enfrenta preços elevados nos supermercados?
Sustentabilidade no discurso, improviso no caixa
Defender o meio ambiente é importante. Mas uma política pública também precisa considerar seus efeitos sobre a população, especialmente sobre as famílias de menor renda. Não basta apresentar uma proposta com uma justificativa ambiental; é necessário avaliar seus resultados, seus custos e a maneira como ela afeta a vida cotidiana.
No caso de Leandro Grass, a autoria da legislação coloca a medida em seu histórico parlamentar e abre espaço para questionamentos sobre seus efeitos concretos. Quanto a restrição reduziu o descarte de plástico no Distrito Federal? Houve avaliação dos impactos para consumidores e comerciantes? As alternativas sustentáveis são acessíveis a todos? E, principalmente, quem acabou pagando essa conta?
São perguntas legítimas para um candidato que pretende governar o DF. O eleitor tem o direito de conhecer os resultados das leis propostas por seus representantes e avaliar se os benefícios anunciados correspondem aos efeitos percebidos no dia a dia.
No fim das contas, a sacola pode ser pequena, mas o debate é grande. O consumidor vai ao supermercado para comprar comida, não para participar de uma gincana logística na qual precisa lembrar de levar sacolas, calcular despesas extras e improvisar para transportar as compras.
A crítica não é à sustentabilidade, mas à falta de respostas sobre quem paga por ela. Se a proposta pretende beneficiar o meio ambiente, é justo perguntar quais benefícios foram alcançados e por que o consumidor precisa arcar com custos adicionais. Afinal, preservar a natureza é necessário, mas fazer compras sem transformar cada ida ao supermercado em mais um teste para o orçamento familiar também deveria ser uma preocupação de quem faz as leis.










