
Ator de “Grey’s Anatomy” contou que perdeu a capacidade de nadar durante férias no Caribe, em 2024; Georgia tinha 14 anos na época.
O ator Eric Dane (1972-2026) revelou, em seu livro póstumo, que a filha Georgia, então com 14 anos, o salvou de um afogamento durante férias em Antígua, ilha do Caribe, em 2024. O episódio aconteceu pouco depois de o artista receber o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA) e foi descrito por ele como um dos momentos mais assustadores de sua luta contra a doença.
Em um trecho da obra My Book of Days: A Memoir of Moments (“Meu Livro dos Dias: Uma Memória de Momentos”, em tradução livre), obtido pela revista norte-americana People, Eric relatou que entrou no mar para nadar, mas percebeu que já não conseguia se manter na água. Georgia e uma amiga precisaram intervir para ajudá-lo.
Após o episódio, o ator telefonou para a ex-mulher, Rebecca Gayheart, com quem mantinha uma relação de amizade mesmo após a separação.
“Georgia me entrega meu telefone. ‘O que aconteceu?’, pergunta Rebecca. ‘Eu não sei nadar, Rebecca’, digo. ‘Eu não sei nadar’. Ela explode em lágrimas e eu choro com ela. Choramos juntos”, escreveu Eric no livro.
O relato mostra como a progressão da ELA já afetava a capacidade de movimento do ator e traz um dos episódios mais delicados de sua experiência com a doença.
Diagnóstico e morte de Eric Dane
Eric Dane morreu aos 53 anos, em 19 de fevereiro de 2026. O ator ficou conhecido mundialmente por interpretar o cirurgião plástico Mark Sloan, apelidado de “McSteamy”, na série médica Grey’s Anatomy.
O artista tornou público o diagnóstico de ELA em 2025. Com o avanço da doença, passou a receber cuidados de enfermagem durante 24 horas por dia.
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal responsáveis pelo controle dos músculos. Com a evolução do quadro, o paciente perde gradualmente a capacidade de realizar movimentos voluntários.
A condição pode comprometer funções como andar, falar, engolir e respirar. A progressão varia de pessoa para pessoa, mas, em muitos casos, leva à perda significativa da autonomia e exige cuidados contínuos.
Ator descreveu convivência com a doença como “horrível”
Em dezembro de 2025, Eric fez sua última aparição pública em um painel virtual da organização I AM ALS, voltada à conscientização e ao apoio a pessoas afetadas pela doença. Na ocasião, falou abertamente sobre os desafios de conviver com a ELA e descreveu a experiência como “horrível”.
“É encorajador manter um espírito otimista diante de algo tão horrível”, afirmou.
O ator reconheceu que seus sintomas tornavam difícil manter o bom humor, mas disse ter se surpreendido com a própria capacidade de enfrentar a situação.
“Acho que ninguém me culparia se eu subisse para o meu quarto, me escondesse debaixo dos lençóis e passasse as próximas duas semanas chorando. Fiquei um pouco surpreso e feliz quando percebi que não era assim, porque tinha certeza de que seria”, relatou.
Papel na televisão teve relação com sua experiência pessoal
Durante o painel, Eric também relembrou sua participação na série Mentes Extraordinárias, de 2024, na qual interpretou um bombeiro que precisava contar à família que havia recebido o diagnóstico de ELA.
Segundo o ator, foi desafiador se distanciar de um personagem que enfrentava uma situação tão próxima da realidade que ele próprio viria a viver. Ao mesmo tempo, a experiência se tornou catártica, e ele afirmou ser grato pela oportunidade.
Eric Dane deixou duas filhas: Billie Beatrice Dane, de 16 anos, e Georgia, de 14. O episódio relatado no livro póstumo destaca a participação de Georgia em um momento crítico da vida do pai, pouco depois do diagnóstico que mudaria sua rotina e sua carreira.









