
Plataforma distribuída pela Hospcom já está instalada em 13 instituições e permite realizar cirurgias a distância; tecnologia foi utilizada na primeira telecirurgia robótica do SUS.
O robô cirúrgico Toumai, tecnologia voltada a procedimentos minimamente invasivos e que realizou a primeira telecirurgia robótica do Sistema Único de Saúde (SUS), deve estar presente em 22 hospitais brasileiros até dezembro. Distribuída exclusivamente no Brasil pela Hospcom, a plataforma já está instalada em 13 instituições e tem outras nove instalações previstas até o fim do ano.
A expansão deve alcançar as cinco regiões do país, com equipamentos em hospitais de estados como São Paulo, Roraima, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e Santa Catarina.
O sistema permite que médicos realizem procedimentos cirúrgicos mesmo estando em outra cidade ou país, por meio de uma conexão remota entre o cirurgião e os instrumentos robóticos instalados no hospital onde está o paciente.
A plataforma conta com visão tridimensional em alta definição e instrumentos que reproduzem os movimentos das mãos do cirurgião com precisão. O equipamento também oferece recursos ergonômicos para procedimentos prolongados e possibilita treinamentos e acompanhamento de especialistas a distância.
Para Gabriel Alencar Coelho, CEO da Hospcom, a ampliação da presença da tecnologia pode contribuir para disseminar a cirurgia robótica no país.
“A ampliação do acesso a esses recursos pode contribuir para aumentar a capacidade de atendimento dos hospitais e facilitar o acesso a procedimentos de alta complexidade, especialmente em localidades que enfrentam dificuldades para contar com especialistas”, afirma.
Onde o Toumai já está instalado
Atualmente, o sistema está em operação nas seguintes instituições:
- Hospital Nove de Julho (SP);
- Hospital Mãe de Deus (RS);
- IMAS Tubarão (SC);
- Unimed Foz do Iguaçu (PR);
- Hospital Samar (RO);
- Hospital do Rim (GO);
- CASSEMS (MS);
- Hospital do Amor/Fundação Pio XII (RO);
- IRCAD América Latina (SP);
- Mater Dei Santo Agostinho (MG);
- Unimed João Pessoa (PB);
- Iart (BA);
- Santa Casa de Montes Claros (MG).
Até dezembro, a previsão é que o equipamento seja instalado em outras nove instituições: Unimed Jaú (SP), Unimed Ponta Grossa (PR), Unimed Araçatuba (SP), Instituto Mário Penna (MG), Hospital das Clínicas de Montes Claros (MG), IMAS Florianópolis (SC), IMAS Joaçaba (SC), Hospital São Paulo/Santa Casa de Cacoal (RO) e Hospital do Amor/Fundação Pio XII (SP).
Com as novas instalações, a expectativa é ampliar a presença da plataforma e consolidar sua atuação nas cinco regiões brasileiras.
Cirurgias menos invasivas e recuperação
Segundo Eder Mattos, gerente nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, a técnica pode permitir incisões menores e contribuir para uma recuperação mais rápida, dependendo do tipo de procedimento e das condições clínicas do paciente.
“Na cirurgia robótica, recursos como a visão ampliada e a filtragem dos tremores das mãos também auxiliam o cirurgião na execução dos movimentos”, explica o especialista.
A tecnologia também tem sido utilizada em procedimentos que conectam equipes médicas a milhares de quilômetros de distância. Em agosto, uma prostatectomia radical, cirurgia para retirada completa da próstata, foi realizada com o paciente em Goiânia (GO) e o cirurgião conectado a partir de Santiago, no Chile. A distância entre os locais era de aproximadamente 3 mil quilômetros.
Em julho, o Toumai foi utilizado na primeira telecirurgia robótica realizada pelo SUS. O procedimento conectou o Hospital de Amor da Amazônia, em Porto Velho (RO), ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), onde estava o cirurgião responsável pela retirada de um tumor intestinal.
Em março, a plataforma também foi utilizada em uma cirurgia de hérnia de hiato que conectou Foz do Iguaçu (PR) a um cirurgião na China, a cerca de 19 mil quilômetros de distância do paciente.
Como funciona a estrutura de telecirurgia
Criado em 2014, o Toumai realizou sua primeira cirurgia robótica em Xangai, na China, em 2019. O sistema é apontado como concorrente da plataforma Da Vinci, uma das tecnologias mais estabelecidas no mercado de cirurgia robótica. No Brasil, o equipamento chegou em 2025, por meio da Hospcom.
Para viabilizar os procedimentos a distância, a estrutura utiliza duas conexões independentes de fibra óptica, rede 5G e uma rede privada virtual (VPN). A combinação busca garantir estabilidade e continuidade da comunicação entre o cirurgião e os instrumentos robóticos durante a operação.
A infraestrutura de comunicação é um dos principais desafios da telecirurgia, já que falhas ou atrasos na transmissão podem comprometer a execução dos movimentos. Por isso, a realização desses procedimentos depende de conexões estáveis e de uma estrutura adequada tanto no hospital onde está o paciente quanto no local de atuação do especialista.
A expansão do Toumai no Brasil ocorre em meio à busca por novas formas de ampliar o acesso à cirurgia robótica e aproximar especialistas de hospitais que enfrentam dificuldades para contar com profissionais em determinadas áreas.









