sábado, 17 de outubro de 2026 13:13
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Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai quase 10 pontos percentuais em 2026

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Comparecimento às urnas aumentou em relação a 2022, apesar do crescimento do eleitorado idoso; pesquisa aponta barreiras físicas, desmotivação política e falta de apoio como fatores que dificultam a participação.

A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento do Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil que incentiva a participação política da população idosa. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo movimento mostram que o percentual de pessoas dessa faixa etária que deixaram de votar passou de 58,8%, em 2022, para 49,1% neste ano.

A redução ocorreu em um cenário de crescimento do eleitorado idoso. Em 2022, o Brasil tinha 14,9 milhões de eleitores com mais de 70 anos aptos a votar. Em 2026, o número chegou a 17,2 milhões. Considerando também as pessoas com mais de 60 anos, o grupo soma 36,8 milhões de eleitores.

No eleitorado em geral, a abstenção no primeiro turno de 2026 foi de 21,08%, o equivalente a aproximadamente 33 milhões de brasileiros aptos que não compareceram às urnas.

No Brasil, o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos, analfabetos e jovens de 16 e 17 anos. Eleitores com mais de 80 anos têm prioridade absoluta nas filas das seções eleitorais.

Comparecimento diminui com o avanço da idade

Os dados do TSE mostram que a participação eleitoral diminui progressivamente entre os idosos conforme aumenta a faixa etária. Entre os eleitores de 70 a 74 anos, o comparecimento foi de 68,77%. Já entre aqueles com 95 a 99 anos, o índice ficou em 4,34%.

Confira os percentuais de comparecimento no primeiro turno:

  • 70 a 74 anos: 68,77%;
  • 75 a 79 anos: 52,23%;
  • 80 a 84 anos: 37,12%;
  • 85 a 89 anos: 24,30%;
  • 90 a 94 anos: 13,46%;
  • 95 a 99 anos: 4,34%.

Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento da participação representa um avanço importante e demonstra que o envelhecimento não significa necessariamente afastamento da vida política.

“Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, afirma.

Pesquisa identifica três perfis de eleitores que deixam de votar

Para compreender os motivos da abstenção entre pessoas com mais de 70 anos, o Movimento Voto 70+ realizou a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral.

O levantamento identificou três perfis entre os eleitores que afirmaram que não votariam ou que ainda não tinham certeza se compareceriam às urnas em 2026.

O primeiro é o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença no resultado das eleições. O segundo reúne pessoas que consideram que o resultado eleitoral já não terá impacto sobre suas vidas.

O terceiro perfil corresponde aos idosos que desejam votar, mas enfrentam obstáculos físicos ou logísticos, como filas, distância entre a residência e o local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar.

Segundo a pesquisadora Adriana de Queiroz, do Data8, centro de pesquisa, tendências, inteligência e inovação sobre a economia da longevidade, compreender essas diferenças é fundamental para enfrentar os índices de abstenção.

“Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção”, afirma.

Movimento quer reduzir obstáculos no segundo turno

O Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre as dificuldades que impedem a participação dos idosos nas eleições. Entre os principais obstáculos estão as limitações de mobilidade, a falta de redes de apoio e o etarismo, que envolve preconceitos e discriminação relacionados à idade.

No segundo turno, o movimento também destaca que o voto pode ser utilizado como uma das formas de comprovação de vida para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme as regras aplicáveis. Em 2026, a possibilidade também vale para quem não compareceu no primeiro turno.

Campanha Vovó Vota incentiva participação feminina

Para o segundo turno, o movimento promoverá a campanha Vovó Vota, que busca aproximar netas e avós durante o período eleitoral. A iniciativa pretende enfrentar barreiras que contribuem para a abstenção entre mulheres idosas, como dificuldades de deslocamento, ausência de apoio familiar e desestímulo à participação política.

Dados reunidos pelo Data8 indicam que, em 2022, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram. O percentual foi dez pontos percentuais superior ao registrado entre os homens da mesma faixa etária.

A campanha disponibiliza um guia digital com orientações práticas para ajudar na organização do dia da votação. O material inclui recomendações para planejar o deslocamento até a seção eleitoral, conferir os documentos necessários e acompanhar as eleitoras que desejam comparecer às urnas.

A iniciativa busca estimular a participação das mulheres idosas e reforçar a importância do apoio familiar para superar dificuldades que podem impedir o exercício do voto.

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