quarta-feira, 16 de setembro de 2026 23:23
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Copom reduz Selic para 13,75% ao ano pela quinta vez seguida

 

Banco Central corta juros em 0,25 ponto percentual mesmo diante das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e pelo início do El Niño.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, por unanimidade, a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Este é o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (10), estava dentro das expectativas do mercado financeiro.

Em comunicado, o Banco Central afirmou que o cenário internacional permanece incerto diante dos conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária em algumas economias avançadas. Segundo a autoridade monetária, o ambiente exige cautela dos países emergentes, especialmente diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.

A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o maior nível em quase duas décadas. Os cortes foram retomados em abril, em um cenário de desaceleração da inflação. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio e o início do fenômeno El Niño, entretanto, acrescentaram novos fatores de incerteza para as decisões do Copom.

O colegiado também está desfalcado. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para os cargos.

Inflação

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o indicador registrou deflação de 0,32%, menor resultado em quatro anos, influenciado principalmente pelo bônus de Itaipu aplicado às contas de energia elétrica. Em 12 meses, a inflação acumulada caiu de 4,44% em julho para 4,22%.

Os alimentos também contribuíram para o resultado de agosto, com queda de 0,34% nos preços. A expectativa, porém, é que o início do El Niño possa pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses, criando um desafio adicional para a política monetária.

Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

No modelo atual, a inflação é analisada mês a mês com base no acumulado em 12 meses. Em setembro de 2026, por exemplo, o resultado acumulado desde outubro de 2025 é comparado com a meta e o intervalo de tolerância. No mês seguinte, a janela de apuração avança um mês, passando a considerar o período iniciado em novembro de 2025.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o Banco Central havia elevado de 3,9% para 5,2% a previsão para o IPCA em 2026. A estimativa deverá ser revisada diante da recente desaceleração dos preços. A próxima edição do relatório será divulgada no fim deste mês.

As projeções do mercado financeiro são menos elevadas. Segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, a expectativa é de que a inflação termine 2026 em 4,9%, acima do teto de 4,5% da meta. Antes do agravamento da guerra no Oriente Médio, a previsão era de 3,95%.

O Banco Central também avaliou que os indicadores recentes apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos, embora a economia permaneça resiliente e o mercado de trabalho continue aquecido. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, mas ainda permanecem acima da meta.

Crédito menos caro

A redução da Selic tende a baratear o crédito e estimular a produção e o consumo. Ao mesmo tempo, juros menores reduzem o incentivo à poupança e podem dificultar o controle da inflação caso a demanda aumente e pressione os preços.

No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou para 2% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. O mercado financeiro, entretanto, projeta uma expansão menor.

De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, os analistas consultados pelo Banco Central estimam crescimento de 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Há quatro semanas, a projeção era de 1,98%.

A Selic é utilizada como referência nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e influencia as demais taxas de juros da economia. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o consumo tende a ser desestimulado, ajudando a conter a demanda e as pressões sobre os preços.

Já a redução da taxa básica torna o crédito mais barato e pode estimular a atividade econômica, mas diminui a força do instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a inflação. Por isso, decisões de corte dependem da avaliação da autoridade monetária sobre a trajetória dos preços e os riscos de novas pressões inflacionárias.