sexta-feira, 11 de setembro de 2026 19:19
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Coral das Quebradas cria versão infantil e leva funk para escolas

(crédito: Reprodução/Tiktok@mc_collin.oficial)

 

Projeto formado por seis MCs viralizou nas redes sociais com músicas cantadas apenas com vozes e palmas e agora prepara álbum voltado às crianças.

O que começou como uma estratégia de divulgação de músicas de funk usando apenas vozes e palmas das mãos se transformou em um projeto que conquistou crianças, escolas e milhões de visualizações nas redes sociais. O Coral das Quebradas, formado por seis MCs, agora também aposta em uma versão voltada ao público infantil: o Coral das Quebradas Kids.

A ideia surgiu quase por acaso. Segundo MC DR, empresário dos artistas, ator com participações nas séries Sintonia e DNA do Crime, da Netflix, e responsável pelo projeto, os integrantes já produziam vídeos de funk com palmas das mãos para apresentar músicas antes dos lançamentos.

A prática ganhou um novo formato depois que MC DR se inspirou em um vídeo de três crianças que cantavam músicas de outros gêneros lado a lado.

“Veio essa ideia de gravar nesse mesmo formato de ombro com ombro, só que do nosso jeito, na nossa raiz, que é batendo palma da mão e cantando funk”, contou.

O primeiro vídeo foi produzido com uma música de MC Collin, integrante do coral. O resultado surpreendeu: pouco tempo após a publicação, o conteúdo alcançou cerca de 10 milhões de visualizações e 1 milhão de curtidas no TikTok.

Aproximação com o público infantil

A repercussão abriu espaço para uma aproximação com o universo infantil. A TV Cultura propôs ao grupo um desafio envolvendo a música “Lava uma mão, lava a outra”, conhecida pelo público do programa Castelo Rá-Tim-Bum. O Coral das Quebradas aceitou o convite e publicou uma versão utilizando as tradicionais palmas.

“Eu mesmo já acompanhei muito, assisti muito Castelo Rá-Tim-Bum. Então, quando eles fizeram esse convite para mim, eu fiquei, tipo, sem acreditar”, lembrou MC DR.

O vídeo teve forte repercussão e fez o grupo perceber que havia espaço para desenvolver uma vertente infantil do projeto. A partir daí, os integrantes começaram a interpretar outras músicas conhecidas pelas crianças.

Do funk para as escolas

A resposta do público levou o projeto para além das redes sociais. Na semana anterior à entrevista, os integrantes fizeram apresentações em duas escolas por iniciativa própria.

Segundo o empresário, a decisão foi uma forma de retribuir a recepção das crianças ao projeto.

“Não foi pago. Nós que decidimos fazer mesmo pelo fato das crianças terem abraçado o nosso projeto”, afirmou.

Ewellin Tavares, que acompanha o projeto, afirma que a repercussão entre o público infantil também pode ser percebida no dia a dia. Segundo ela, a equipe recebe vídeos de crianças reproduzindo as palmas em escolas e até durante trajetos em vans e peruas escolares.

“O maior público deles são os pais, mas também são as crianças”, explicou.

A palma como linguagem do funk

Apesar da simplicidade do formato, cantar enquanto mantém o ritmo das palmas exige prática. A dinâmica, porém, já fazia parte da trajetória dos artistas.

“Para nós já virou prática”, explicou MC DR. O empresário conta que começou a bater palmas enquanto cantava funk aos 11 anos e que a prática acompanha sua relação com o gênero há quase duas décadas.

A palma também funciona como uma ferramenta de criação e percepção rítmica. Ewellin explica que os artistas utilizam o recurso para encontrar referências e compreender melhor as batidas durante o processo de composição.

Esse elemento ajudou o grupo a construir uma identidade própria: sem instrumentos ou grandes produções, as vozes e as palmas assumem o papel central da música.

Para Igor Carvalho, CEO da produtora musical GR6, o projeto também reflete uma transformação na forma como o mercado do funk vem se profissionalizando. Segundo ele, além de produzir músicas capazes de viralizar, os artistas estão cada vez mais interessados em criar conteúdos com impacto cultural.

“Eu acho que o Coral das Quebradas gera um reflexo dessa nova mentalidade dos artistas de funk, de, além de fazer músicas que viralizam, que contam a realidade das comunidades onde os artistas normalmente crescem, também trazer um pouco de educação e de conteúdo além das vivências”, afirmou.

Coral das Quebradas Kids

Com a boa recepção das crianças, o grupo decidiu formalizar a iniciativa com o Coral das Quebradas Kids. A versão infantil terá um álbum próprio e videoclipes que apresentarão os integrantes em animação.

A primeira faixa, “Banho é Bom”, foi lançada nesta quinta-feira (10) nas plataformas digitais. O projeto também já ganhou uma colaboração com a Galinha Pintadinha, que participou das gravações realizadas pelo grupo.

A escolha por músicas já conhecidas pelas crianças faz parte da estratégia do projeto. Ao mesmo tempo em que aproxima o público infantil, o coral introduz elementos do funk em um contexto diferente daquele em que o gênero costuma ser apresentado.

Parcerias

A repercussão também chamou a atenção de nomes conhecidos da música brasileira. Segundo os integrantes, Xuxa compartilhou e comentou uma versão produzida pelo grupo para “Cinco Patinhos”. Arnaldo Antunes também entrou em contato após uma interpretação de uma de suas músicas.

A Palavra Cantada demonstrou interesse pelo projeto e, de acordo com os funkeiros, apoiou a iniciativa e autorizou o grupo a trabalhar com músicas para o álbum infantil.

O Coral das Quebradas também já fez participações com artistas como Mumuzinho e mantém outras colaborações em negociação. Ainda segundo Igor Carvalho, parte dessas aproximações ocorreu de forma espontânea, com artistas já consolidados procurando o grupo depois de conhecerem o trabalho.

Releitura dos Mamonas Assassinas

Entre os próximos projetos autorizados a serem divulgados está uma colaboração com o universo dos Mamonas Assassinas. Depois da repercussão nas redes sociais, a equipe do grupo entrou em contato com o Coral das Quebradas para uma nova gravação.

A ideia é que, durante as imagens, os integrantes do coral usem roupas inspiradas nas utilizadas pelos Mamonas Assassinas. A produção também deve contar com a presença da famosa Brasília amarela associada ao grupo.

Seis integrantes

O Coral das Quebradas é formado por MC Zignani, MC Kauan PV, MC Collin, MC Chaverin, Horácio MC e MC DR.

O alcance para além do público tradicional do funk também é apontado por Igor Carvalho como uma das principais características do projeto. Para ele, o formato das apresentações permite que o gênero chegue a espaços e públicos que nem sempre são alcançados pelo funk em sua forma mais tradicional.

“Com o formato que está sendo feito pelo Coral das Quebradas, a gente começa a acessar lugares que talvez, com a cultura que o funk representa de forma massiva, a gente não consiga alcançar. Não deixa de ser funk, mas com um conteúdo um pouco diferente; isso é muito importante para a gente”, afirmou.