
Primeira rodada do projeto “Diálogos com o Setor Produtivo” reuniu representantes empresariais e candidatos ao governo
A primeira rodada do projeto “Diálogos com o Setor Produtivo” foi realizada nesta segunda-feira (31), reunindo representantes dos setores de comércio, serviços, turismo, indústria, agricultura e transportes e candidatos ao Governo do Distrito Federal. A iniciativa foi articulada pelos presidentes das entidades representativas do setor produtivo da capital.
A candidata Paula Belmonte (PSDB) foi a primeira a participar da sabatina. Durante o encontro, ela respondeu a perguntas sobre economia criativa, mobilidade urbana, transporte de cargas, acesso ao crédito, atuação do Banco de Brasília (BRB), desenvolvimento regional e industrialização do Distrito Federal.
Economia criativa como estratégia de desenvolvimento

Na abertura da sabatina, Paula Belmonte foi questionada sobre propostas para transformar a economia criativa em instrumento de geração de emprego e renda. O debate teve como referência um estudo desenvolvido em parceria entre a Universidade Católica, Fecomércio-DF e UnB, que identifica características e potencialidades econômicas das regiões administrativas.
A candidata defendeu uma política de desenvolvimento baseada nas vocações econômicas de cada região administrativa. Segundo ela, o governo deve reduzir a burocracia e criar condições para que pequenos e médios empreendedores possam ampliar suas atividades.
Entre as medidas citadas estão investimentos em infraestrutura, com melhorias em abastecimento de água, energia e saneamento, além da ampliação de escolas técnicas e profissionalizantes.
Paula Belmonte também relacionou o desenvolvimento econômico regional à redução dos deslocamentos. Na avaliação dela, fortalecer as atividades econômicas nas próprias regiões administrativas pode contribuir para diminuir a pressão sobre o sistema de mobilidade.
Transporte de cargas e anel viário
A mobilidade urbana e o transporte de cargas também estiveram entre os principais temas da sabatina. Paula Belmonte defendeu a implantação de um anel viário para retirar parte do fluxo de veículos pesados das áreas comerciais e das regiões de maior circulação.
A candidata afirmou que pretende buscar articulação com o governo federal para viabilizar recursos destinados a obras estruturantes. Ela também defendeu mudanças na matriz de mobilidade e criticou a falta de concorrência no atual modelo de transporte coletivo.
Segundo Paula, o transporte de cargas interfere diretamente na atividade comercial de regiões como Taguatinga. Para ela, a criação de estruturas adequadas para distribuição de mercadorias poderia melhorar o trânsito e o funcionamento do comércio.
A candidata também prometeu ampliar a transparência na execução de obras públicas e na aplicação dos recursos.
BRB como instrumento de crédito
Outro ponto de destaque foi o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas. Representantes do setor produtivo questionaram a candidata sobre mecanismos para reduzir dificuldades relacionadas a garantias, custos financeiros e burocracia.
Paula Belmonte defendeu uma atuação mais voltada ao desenvolvimento regional por parte do Banco de Brasília (BRB). Ela afirmou que o banco deve exercer papel semelhante ao de uma instituição de fomento, apoiando empresas e atividades econômicas do Distrito Federal.
A candidata também criticou decisões anteriores relacionadas à estratégia de expansão do BRB e mencionou seu posicionamento contrário à aquisição do chamado “Banco Marfim”, segundo o relato apresentado durante a sabatina.
Para ela, o banco precisa atuar com transparência e priorizar mecanismos que permitam aos pequenos empreendedores acessar financiamento com condições compatíveis com sua capacidade de pagamento.
Educação financeira e empreendedorismo
Ao abordar políticas permanentes para micro e pequenos negócios, Paula Belmonte destacou a necessidade de investir em educação financeira e empreendedorismo desde a escola.
A candidata citou sua experiência com o Sebrae e defendeu a ampliação de parcerias entre o governo, instituições de ensino e entidades do setor produtivo.
Ela também afirmou que pretende estimular a industrialização do Distrito Federal, desde que sejam priorizados empreendimentos considerados compatíveis com políticas ambientais e de sustentabilidade.
Outro ponto apresentado foi a necessidade de planejamento urbano e habitacional. Paula Belmonte defendeu maior atuação da Codhab e medidas de combate à grilagem e ao crescimento urbano sem planejamento.
Setor produtivo cobra políticas de Estado

Durante o encontro, os representantes das entidades empresariais reforçaram demandas relacionadas a crédito, infraestrutura, transporte e desenvolvimento econômico.
O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, apresentou um projeto para transformar o Setor Comercial Sul em um polo de economia criativa e tecnológica. A proposta inclui a criação de uma rua com funcionamento 24 horas. Segundo ele, uma experiência recente de 36 horas de programação cultural reuniu cerca de 30 mil pessoas.

Já o presidente da CDL-DF, Eduardo Rodrigues, destacou as dificuldades enfrentadas pelos pequenos varejistas para obter crédito e defendeu linhas de financiamento com exigências compatíveis com a realidade dos pequenos negócios.

O representante da Fape-DF e do Conselho Deliberativo do Sebrae-DF, Fernando Cezar Ribeiro, ressaltou a importância dos pequenos negócios e defendeu mecanismos para ampliar a participação dessas empresas nas compras governamentais.
Indústria e autonomia financeira

O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, defendeu uma política permanente de industrialização e criticou a dependência do Distrito Federal em relação aos recursos federais.
Segundo Bittar, a indústria e a agroindústria podem contribuir para ampliar a capacidade de geração de renda, empregos e investimentos no DF. Ele defendeu que a industrialização seja tratada como uma política de Estado, e não apenas como uma iniciativa de cada governo.
A regularização fundiária e a atuação da Terracap também foram abordadas durante o encontro, assim como a necessidade de fortalecer a agricultura e o setor produtivo rural do Distrito Federal.
Transporte como prioridade

O representante da Fenatac, Paulo Lustosa, destacou a necessidade de investimentos em transporte de passageiros e cargas para garantir crescimento econômico e melhorar a qualidade dos deslocamentos da população.

Já o presidente da Faci-DF, Valdeci Machado, defendeu investimentos no anel viário como forma de melhorar o trânsito nas regiões administrativas. Ele também relacionou a obra à implantação de um aeroporto de cargas e à melhoria da logística do Distrito Federal.
Próximas sabatinas

Após a participação de Paula Belmonte, Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) também foram sabatinados pelos representantes do setor produtivo. Os candidatos apresentaram propostas e responderam a questões relacionadas ao desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.
A segunda rodada do projeto “Diálogos com o Setor Produtivo” está prevista para 3 de setembro, a partir das 14h, na sede da Fecomércio-DF. Participarão Ricardo Cappelli (PSB), Celina Leão (PP) e Kiko Caputo (Novo).
Fotos: Cristiano Costa -Fecomércio-DF
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