quinta-feira, 27 de agosto de 2026 12:12
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Febre do Nilo Ocidental: maioria dos casos é leve, mas doença exige vigilância

© MS/Divulgação

Infecção transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex já teve casos confirmados em São Paulo e Santa Catarina; formas graves podem causar encefalite, meningite e outras complicações neurológicas.

A febre do Nilo Ocidental não é uma doença comum no Brasil, embora seja conhecida na África há pelo menos 90 anos. Apesar dos casos confirmados no país e de uma morte associada à infecção, a maioria absoluta dos quadros é leve e menos de 1% das pessoas infectadas evolui para a forma grave, segundo o infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença.”

A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda provocada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus responsáveis por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas. O inseto adquire o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas e pode transmiti-lo posteriormente ao picar seres humanos.

Sintomas

A infecção pelo vírus do Nilo Ocidental pode não provocar sintomas. Estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvam manifestações clínicas, geralmente leves.

Entre os sintomas que podem aparecer estão:

  • febre e mal-estar;
  • falta de apetite;
  • náuseas e vômitos;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular;
  • dor nos olhos;
  • manchas na pele;
  • aumento dos gânglios linfáticos;
  • confusão mental;
  • rebaixamento do nível de consciência;
  • tremores ou convulsões.

Segundo Álvaro Furtado da Costa, os sintomas podem ser semelhantes aos provocados por outras arboviroses.

“Os mosquitos picam as aves infectadas – os reservatórios do vírus – e, picando o ser humano, podem transmitir a doença. Os sintomas são muito parecidos com os de arboviroses como dengue, zika, que são vírus ‘primos’.”

Embora a maioria dos casos seja leve, algumas pessoas podem desenvolver formas graves da doença. Nessas situações, a infecção pode provocar encefalite, meningite e outras alterações neurológicas, exigindo avaliação médica imediata e, em alguns casos, hospitalização.

Os pacientes em estado grave podem precisar de internação em unidade de terapia intensiva. O tratamento é de suporte e pode envolver hidratação intravenosa, auxílio respiratório e medidas para prevenir ou tratar complicações.

O diagnóstico é realizado a partir da avaliação clínica e de exames laboratoriais, considerando também o histórico de exposição do paciente a áreas onde há circulação do vírus e presença do mosquito transmissor.

Não há vacina nem antiviral específico

Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em humanos. O tratamento é direcionado aos sintomas e pode incluir repouso, hidratação e acompanhamento médico, de acordo com a gravidade do quadro.

Costa explica que o desenvolvimento de uma vacina não é uma prioridade semelhante à observada para arboviroses que apresentam maior número de casos no mundo.

“Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue.”

Casos confirmados

São Paulo confirmou dois casos humanos da febre do Nilo Ocidental, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Uma das pacientes é uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto. Ela relatou ter viajado recentemente para a região amazônica e já está curada.

O segundo caso é de uma adolescente de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. Esta é a primeira vez que o estado de São Paulo registra casos humanos da doença.

“As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, afirmou a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini.

Além dos registros paulistas, o Ministério da Saúde confirmou dois casos em Santa Catarina, sendo que um deles evoluiu para morte. Também há um caso provável no Piauí.

Diante dos registros, o Ministério da Saúde informou que mantém ações de vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão.

Apesar da presença do vírus no país, especialistas ressaltam que a ocorrência da doença ainda é considerada incomum. A recomendação é manter a vigilância, principalmente diante de situações de mortalidade anormal de aves, e procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis, especialmente quando houver histórico de exposição a áreas de risco.