quarta-feira, 26 de agosto de 2026 19:19
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Jovens de 16 a 24 anos têm maior índice de tabagismo no Brasil

Foto de Amritanshu Sikdar na Unsplash

 

Pesquisa aponta que 19% dos entrevistados nessa faixa etária fumam cigarros convencionais ou eletrônicos, acima da média nacional de 17%

Os jovens brasileiros de 16 a 24 anos apresentam a maior incidência de tabagismo entre as faixas etárias analisadas em pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. Segundo o levantamento, 19% dos entrevistados desse grupo se declararam fumantes ativos, considerando cigarros convencionais e eletrônicos. O índice supera a média nacional, de 17%, e os percentuais registrados entre as demais idades.

A pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país. Entre os entrevistados de 25 a 40 anos, 15% afirmaram ser fumantes, menor índice entre as faixas analisadas. O percentual foi de 16% entre pessoas com mais de 60 anos e de 17% entre aquelas de 41 a 59 anos.

Para Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, a incidência entre os jovens exige atenção. De acordo com o levantamento, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos.

Segundo o especialista, a iniciação precoce aumenta o risco de desenvolvimento de dependência, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, que podem ter mais dificuldade para abandonar o hábito posteriormente. Ele ressalta, porém, que o combate ao tabagismo exige atenção em todas as faixas etárias.

Exposição à fumaça

O levantamento também chama atenção para a exposição ao fumo passivo. Cerca de 33% da população brasileira afirma compartilhar frequentemente ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes.

A exposição contínua à fumaça do cigarro também representa um risco à saúde e pode aumentar as chances de desenvolvimento de câncer de pulmão, inclusive entre pessoas que nunca fumaram.

Tabagismo por região

Entre as regiões brasileiras, o Sul apresenta a maior proporção de fumantes, com 22% dos entrevistados. O Sudeste aparece em seguida, com 19%, enquanto Nordeste e Norte/Centro-Oeste registram 13% cada.

Os dados também indicam relação entre o consumo de cigarros e fatores socioeconômicos. Entre as pessoas com renda de até um salário mínimo, 19% se declararam fumantes. Já entre aqueles que concluíram apenas o ensino fundamental, o índice chega a 21%.

Ex-fumantes e hábitos de saúde

A população com mais de 60 anos concentra o maior percentual de ex-fumantes, com 32%. O índice é de 15% entre pessoas de 41 a 59 anos, 10% na faixa de 25 a 40 anos e 8% entre os jovens de 16 a 24 anos.

A pesquisa também identificou uma relação entre tabagismo e outros hábitos considerados prejudiciais à saúde. Entre os fumantes, 84% relataram manter até quatro comportamentos de risco no cotidiano, com destaque para o sedentarismo e o consumo excessivo de frituras e produtos ultraprocessados.

Entre aqueles que nunca fumaram, 18% afirmaram não ter nenhum hábito prejudicial à saúde. O percentual é o dobro do registrado entre os fumantes, de 9%. Já os ex-fumantes apresentaram maior concentração na categoria de apenas um hábito prejudicial, com 44%.

Os dados sugerem que o abandono do cigarro pode estar associado a mudanças mais amplas no estilo de vida, com redução de outros comportamentos considerados de risco.

Percepção sobre a própria saúde

Apesar dos riscos associados ao tabagismo, 63% dos fumantes classificaram a própria saúde como “ótima” ou “boa”. O percentual é ligeiramente superior ao registrado entre as pessoas que nunca fumaram, de 61%.

A diferença, entretanto, está dentro da margem de erro da pesquisa. O resultado mostra que a percepção positiva sobre a própria saúde não necessariamente acompanha os riscos relacionados ao consumo de cigarros.

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção ao tabagismo, especialmente entre adolescentes e jovens, além de fortalecer estratégias para ajudar fumantes a abandonar o hábito e reduzir a exposição da população ao fumo passivo.