
Boletim Focus aponta IPCA de 5,02% e reduz estimativa de crescimento do PIB para 1,98%; previsão para a Selic permanece em 13,75%
O mercado financeiro reduziu pela sexta semana consecutiva a previsão para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), a expectativa é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, encerre o ano em 5,02%.
A projeção ficou abaixo dos 5,16% estimados há quatro semanas e dos 5,03% previstos na edição anterior do boletim. O mercado também revisou para baixo a expectativa de crescimento da economia brasileira. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,99% para 1,98%.
Para o câmbio, a estimativa permanece em R$ 5,20 por dólar pelo oitavo levantamento consecutivo. Já a previsão para a taxa básica de juros também não sofreu alteração em relação à semana anterior: o mercado espera que a Selic termine 2026 em 13,75%.
Projeções para 2027 e 2028
Para 2027, as expectativas para inflação, câmbio e taxa Selic permaneceram estáveis em relação à semana anterior, com projeções de 4,22%, R$ 5,28 e 12%, respectivamente. A única alteração ocorreu na previsão para o PIB, que caiu de 1,57% para 1,52%.
Para 2028, o mercado manteve as estimativas divulgadas anteriormente. A previsão é de inflação de 3,80%, crescimento de 2% do PIB, dólar a R$ 5,30 e Selic em 10,50%.
Selic e controle da inflação
A taxa Selic é utilizada pelo Banco Central como principal instrumento para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito fica mais caro para consumidores e empresas, o que tende a reduzir o consumo e desacelerar a atividade econômica.
Por outro lado, a redução dos juros pode estimular o consumo e os investimentos, favorecendo a atividade econômica. A definição da taxa busca equilibrar o controle da inflação com as condições de crescimento da economia.
Copom reduz juros
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrada em 5 de agosto, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão representou o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros.
Segundo o BC, a redução faz parte da estratégia de condução da inflação em direção à meta nos próximos períodos. A autoridade monetária também afirmou que a política busca contribuir para a estabilidade dos preços, suavizar oscilações da atividade econômica e favorecer o emprego.
O Copom avaliou ainda que o cenário internacional continua exigindo cautela, diante das incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e às decisões de política monetária das principais economias. No cenário doméstico, o comitê apontou uma desaceleração gradual da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido.
Apesar da perda de força da inflação recente, o Banco Central destacou que os índices continuam acima do limite superior da meta. Por outro lado, os núcleos de inflação, que desconsideram itens mais voláteis, apresentaram sinais de desaceleração.










