sábado, 12 de setembro de 2026 16:16
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Empregados da Caixa rejeitam proposta e mantêm greve nacional

© Valter Campanato/Agência Brasil

 

Paralisação continua por tempo indeterminado após trabalhadores recusarem proposta final do banco; Saúde Caixa é o principal ponto de divergência

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional iniciada na quinta-feira (10). A paralisação segue por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais buscam retomar as negociações.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h desta sexta-feira (11).

O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. A proposta apresentada pela instituição previa alterações no modelo de custeio e nas regras de coparticipação.

Caixa avalia recorrer à Justiça

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso os empregados não aceitassem o acordo.

O banco deve avaliar a abertura de um dissídio coletivo, instrumento utilizado para que a Justiça do Trabalho estabeleça condições para solucionar o impasse entre trabalhadores e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo com as entidades representativas e pretende buscar um entendimento.

Como a greve começou

A paralisação teve início na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado o texto anterior apresentado pela Caixa.

Em São Paulo, Paraná e outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis para os clientes.

O que previa a proposta rejeitada

Entre os principais pontos apresentados pela Caixa estavam:

  • prêmio de R$ 3 mil por empregado;
  • pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio;
  • aumento de 6,5% para 8% do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa;
  • antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030;
  • pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027;
  • R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
  • criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

A proposta tinha validade até sexta-feira (11).

Mudanças no Saúde Caixa

As alterações previstas no plano de saúde concentraram grande parte das divergências entre trabalhadores e banco.

A proposta estabelecia contribuição dos empregados entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, de acordo com a faixa etária, além de cobrança mensal de R$ 480 a R$ 660 por dependente, também conforme a idade.

O teto anual de coparticipação por grupo familiar subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, com limite de 9% para o grupo familiar e criação de um piso de R$ 50 por beneficiário.

O texto também previa cobrança de 13 mensalidades, aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto, e isenção de coparticipação em atendimentos realizados por telemedicina.

Outra mudança seria o recadastramento anual obrigatório.

A proposta ainda estabelecia uma janela de 90 dias para que titulares atualmente fora do plano pudessem aderir ao Saúde Caixa. Após o cancelamento, entretanto, não seria possível retornar ao plano.

Atendimento aos clientes durante a greve

A Caixa orienta os clientes a priorizar os canais digitais e remotos enquanto durar a paralisação.

Entre as alternativas estão o aplicativo Caixa, internet banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS, além dos caixas eletrônicos, rede Banco24Horas, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico também permanece disponível pelo Alô Caixa, pelo número 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.

Banco do Brasil tem situação diferente

No Banco do Brasil, a situação é diferente. Na maior parte dos sindicatos, os trabalhadores aprovaram uma proposta apresentada pela instituição e trabalharam normalmente na sexta-feira (11).

A paralisação, porém, continua em 18 bases sindicais, onde os funcionários decidiram manter o movimento.