terça-feira, 21 de julho de 2026 15:15
Home Notícias Ministério da Saúde incorpora medicamento para tratamento da ELA no SUS

Ministério da Saúde incorpora medicamento para tratamento da ELA no SUS

SUS – Foto: Reprodução

 

Edaravona será ofertada a pacientes adultos em estágios iniciais da doença e deverá estar disponível na rede pública em até 180 dias

O Ministério da Saúde oficializou a incorporação da edaravona ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de adultos com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em estágios iniciais da doença. A decisão foi publicada nesta terça-feira (21) no Diário Oficial da União e contempla pacientes classificados nos graus 1 ou 2 da enfermidade, com sintomas há no máximo dois anos.

De acordo com a Portaria SCTIE/MS nº 40, de 20 de julho de 2026, o medicamento deverá ser disponibilizado na rede pública em até 180 dias, prazo destinado à implementação da incorporação pelas áreas técnicas do Ministério da Saúde. Embora a medida entre em vigor imediatamente, o acesso pelos pacientes dependerá da conclusão desse processo.

A inclusão da edaravona no SUS foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por analisar evidências científicas, eficácia, segurança e custo-benefício de novos tratamentos antes de sua oferta na rede pública.

A edaravona é indicada para retardar a progressão da ELA em pacientes nas fases iniciais da doença. O medicamento atua reduzindo o estresse oxidativo, um dos mecanismos associados à degeneração dos neurônios motores. Apesar de não representar a cura da enfermidade, o tratamento busca preservar a capacidade funcional dos pacientes por mais tempo e retardar a perda dos movimentos.

A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura, que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários. Com a evolução do quadro, os pacientes passam a apresentar perda gradual da força muscular, dificuldade para caminhar, falar, engolir e, em fases mais avançadas, respirar.

A doença costuma surgir entre os 55 e 75 anos e, em cerca de 90% dos casos, ocorre de forma esporádica, sem histórico familiar. Embora afete a capacidade motora, normalmente preserva funções como memória, inteligência, visão, audição e sensibilidade.

Os primeiros sintomas podem incluir fraqueza nos braços ou pernas, tropeços frequentes, dificuldade para segurar objetos, cãibras, contrações musculares involuntárias, além de alterações na fala e na deglutição. Com o avanço da doença, a fraqueza se torna generalizada e pode comprometer os músculos responsáveis pela respiração, principal causa das complicações mais graves.

O diagnóstico é realizado pelo neurologista com base na avaliação clínica, no histórico do paciente e em exames complementares, como a eletroneuromiografia (ENMG), considerada fundamental para identificar o comprometimento dos neurônios motores, além de ressonância magnética e exames laboratoriais que ajudam a descartar outras doenças.

Mesmo com a incorporação da edaravona, o tratamento da ELA permanece baseado em uma abordagem multidisciplinar. Neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais atuam em conjunto para retardar a progressão da doença, controlar os sintomas, preservar a autonomia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (ABrELA), esse acompanhamento integrado é um dos principais fatores relacionados ao aumento da sobrevida e ao bem-estar das pessoas diagnosticadas com a doença.