segunda-feira, 15 de junho de 2026 12:12
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Mercado eleva projeção para juros em 2026

 

Analistas aumentam estimativa da Selic para 13,75% no próximo ano, enquanto inflação segue acima da meta e pressiona decisões do Banco Central

 

O mercado financeiro voltou a elevar a previsão para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, pela segunda semana consecutiva. De acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central (BC), a expectativa para o indicador ao final de 2026 passou de 13,5% para 13,75% ao ano.

A revisão ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir os rumos da taxa de juros no país. O encontro será realizado nesta terça-feira (16) e quarta-feira (17), e a expectativa predominante entre as instituições financeiras é de manutenção da Selic em 14,5% ao ano.

Para os anos seguintes, as projeções apontam uma trajetória gradual de redução dos juros. Segundo o mercado, a taxa deve encerrar 2027 em 12% ao ano, cair para 10,25% em 2028 e atingir 10% em 2029.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros são reduzidos, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando o consumo e os investimentos. Por outro lado, aumentos na taxa tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, contribuindo para conter a alta dos preços.

Inflação preocupa mercado

O boletim Focus também mostrou uma piora nas expectativas para a inflação. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 5,11% para 5,3%, registrando a décima quarta alta consecutiva nas estimativas.

O percentual permanece acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação oficial avançou 0,58% em maio, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%, permanecendo acima do limite estabelecido pelo sistema de metas.

Entre os fatores que influenciam as expectativas inflacionárias está o cenário internacional, especialmente os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, que têm pressionado os preços dos combustíveis e de diversos produtos no mercado global.

Economia apresenta crescimento moderado

Apesar das preocupações com a inflação, o mercado financeiro melhorou ligeiramente a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,91% para 1,96%.

Para 2027, a projeção permanece em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% ao ano.

Segundo dados do IBGE, a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%.

Dólar deve encerrar ano em R$ 5,20

As projeções para o câmbio permaneceram relativamente estáveis. O mercado financeiro estima que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20. Para o final de 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana alcance R$ 5,25.

As previsões do boletim Focus refletem a avaliação de instituições financeiras e servem como um dos principais termômetros das expectativas econômicas para os próximos anos.

Com informações da Agência Brasil.