terça-feira, 9 de junho de 2026 23:23
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Governo federal e Instituto Alana anunciam R$ 60 milhões para pesquisas sobre endometriose e saúde menstrual

Foto de Priscilla Du Preez na Unsplash

 

Investimentos vão financiar estudos, inovação tecnológica e criação de rede nacional de pesquisa para ampliar o diagnóstico e o tratamento de doenças que afetam milhões de mulheres brasileiras

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Alana anunciaram nesta terça-feira (9), em Brasília, um investimento de R$ 60 milhões destinado ao financiamento de pesquisas e ao desenvolvimento de tecnologias voltadas ao diagnóstico e tratamento da endometriose, da dor pélvica e à promoção da saúde menstrual. As condições afetam cerca de 10% das mulheres em idade fértil, incluindo adolescentes, e são consideradas importantes desafios para a saúde pública.

Do total de recursos anunciados, R$ 50 milhões serão investidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio de editais voltados à pesquisa e inovação na área da saúde da mulher. Os outros R$ 10 milhões serão aportados pelo Instituto Alana para a criação de uma rede nacional especializada em pesquisas sobre saúde feminina.

A ministra Luciana Santos destacou que os investimentos representam uma resposta concreta do Estado a um problema que impacta a qualidade de vida de milhões de brasileiras.

Segundo ela, a iniciativa reforça o compromisso do governo com a ciência como instrumento de cuidado, inclusão e promoção do bem-estar das mulheres.

A CEO do Instituto Alana, Flavia Doria, ressaltou a importância da produção científica para ampliar o conhecimento sobre doenças historicamente pouco estudadas. “O que não é pesquisado não é compreendido. O que não é compreendido não é tratado”, afirmou.

A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, provocando processos inflamatórios crônicos. De acordo com o Ministério da Saúde, a condição afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva e pode causar dores intensas, alterações menstruais, infertilidade e comprometimento da qualidade de vida.

Embora suas causas ainda não sejam totalmente conhecidas, especialistas apontam fatores genéticos, hormonais, imunológicos e alterações no fluxo menstrual como possíveis explicações para o desenvolvimento da doença.

Flavia Doria alertou que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações futuras. Segundo ela, o atraso no tratamento pode favorecer a cronificação da dor e agravar os processos inflamatórios ao longo da vida.

Também presente no anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que doenças que afetam predominantemente mulheres ainda recebem pouca visibilidade. Para ele, os novos investimentos poderão contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes e para o aprimoramento do atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Padilha destacou ainda que as pesquisas deverão auxiliar no desenvolvimento de novas tecnologias, métodos diagnósticos e estratégias terapêuticas, ampliando a qualidade da assistência prestada às pacientes em todo o país.

A expectativa é que os recursos fortaleçam a produção científica nacional, acelerem a inovação em saúde feminina e contribuam para reduzir o impacto da endometriose e de outras condições relacionadas à saúde menstrual na vida de milhões de brasileiras.