segunda-feira, 8 de junho de 2026 23:23
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Estudantes da EduSesc levam Centro-Oeste à “Copa do Mundo de Robótica” na Coreia do Sul pela 1ª vez

 

Grupo apresenta robô que realiza interação artística e traz no roteiro debate sobre uso indevido da IA e conscientização ambiental 

Juliane, Caio, Sanches, Matheus e professor William se locomovem na sala de robótica do EduSesc de Taguatinga Norte como se conhecessem cada fresta, cada canto, em uma coreografia silenciosa e precisa. Entre pedaços de papel kraft, parafusos e peças soltas, eles compartilham nesse espaço ideias, projetos, histórias e, sobretudo, o fascínio de criar vida à sua própria imagem.

Anbot nasceu ali. O robô que anda, levanta objetos e, através de visão computacional, reage a ações humanas – acenando com a cabeça, olhando para o lado ou indo em direção a pessoa – está praticamente pronto para ir a Incheon, na Coreia do Sul, participar da RoboCup 2026. Conhecida como a “Copa do Mundo de Robótica”, a maior e mais prestigiada competição mundial de robótica e inteligência artificial, realizada desde 1997, começa no dia 30 de junho. E, pela primeira vez, conta com uma representação da Região Centro-Oeste em sua lista de selecionados.

“Nossa trajetória já vem de uns três anos trabalhando com robótica artística. Essa equipe foi bicampeã estadual e participou de duas etapas nacionais”, conta o professor William Caetano Garcia da Silva. Há cinco anos no EduSesc, ele encontrou no trabalho a oportunidade de atuar com robótica, um desejo de longa data. Aproveitou como ninguém: iniciou o grupo de robótica, montou várias equipes que atuam em áreas diversas do setor, como resgate, batalha de robôs e área artística.

Sanches (que prefere ser chamado por um único nome) é um dos integrantes da equipe selecionada para a RoboCup. Ele passou 15 dos seus 18 anos no EduSesc de Taguatinga Norte. Recém-formado, continua junto ao grupo, responsável por toda a parte estética do robô. “Desde sempre o Sesc abriu muitas portas para os espaços artísticos e para trabalhar mais o individual dos alunos. Desde projetos de música até projetos como a sala maker, que trouxe mais tecnologia junto com arte, que era o que eu mais gostava. Depois de formado, consegui bolsas de estudo em algumas faculdades por conta das medalhas olímpicas que o Sesc trouxe para mim”, conta.

Juliane Souza explica que o trabalho do grupo tem como objetivo levar à RoboCup não só um robô, mas uma ideia. No grupo, ela é a principal responsável pela construção do roteiro que contextualiza a criação da máquina apresentado na competição. No enredo, Anbot é um robô-assistente do pesquisador Kenai. Seu objetivo é mapear a Amazônia e armazenar as informações em seu banco de dados. Mas a dupla é interpelada por Curupira, o mítico guardião da floresta. Ao abordá-los, Curupira questiona o uso de um robô na Amazônia e alega que a máquina pode trazer sérios prejuízos ao meio ambiente. Anbot inicia um download de desinformações e contesta com uma coleta de dados sobre a floresta. O robô chega à conclusão de que a Amazônia tem urgência em ser conservada e utilizada de maneira correta. Dessa forma, ganha a confiança e o apoio de Curupira.

“Pode parecer estranho, mas a consciência ambiental, a importância da Amazônia, a responsabilidade ao se usar Inteligência Artificial não são questões conhecidas como deveriam. É isso que a gente quer levar para o mundo”, explica Juliana, que também se formou no EduSesc de Taguatinga Norte.

Caio Lima da Cruz está no 3º ano do Ensino Médio. É ele quem criou a programação do Anbot. Ansioso com o fato de participar de uma competição internacional de robótica, ele já ensaia as primeiras palavras em coreano. “A gente tenta buscar o que a outra pessoa se sentiria feliz em ver”, diz, como se contasse um segredo sobre a arte da robótica. Para ele, esse é um dos momentos mais especiais da sua vida. “O professor chegou e disse: a gente tem uma viagem para ir. Deu os detalhes e eu disse: aceito na hora”, relata.

Matheus Santos de Brito completa o quinteto que irá à RoboCup. Estudante do 3º ano do EduSesc de Taguatinga Norte, ele responde pelos detalhes técnicos do projeto. Sereno, o adolescente tem a maturidade de um adulto para contar que há desencontros no grupo – e em qualquer outra equipe – e afirmar que “a discordância faz parte da escolha das pessoas”. “A gente tem que ir (à RoboCup) com respeito e senso de competição. Podemos perder ou ganhar. Mas vamos lá para fazer o nosso melhor possível”, afirma sem titubear.

Ao levar para a Coreia do Sul um robô que carrega consigo a conscientização ambiental e a crítica sobre os limites do uso da inteligência artificial, a equipe da EduSesc de Taguatinga Norte escreve um capítulo importante na história da robótica educacional brasileira. Ainda que de forma não proposital, o grupo reflete em Anbot as célebres Leis da Robótica de Isaac Asimov, que já na década de 1940 alertava que robôs não deveriam ferir humanos, deveriam obedecer e proteger a própria existência, mas sempre sob uma profunda reflexão sobre os limites dos comandos. Anbot ouve a floresta, desconstrói a desinformação e dá o real valor ao equilíbrio do planeta. Uma tarefa não só dos robôs, mas de todos nós.