Mercado eleva previsão da inflação para 5,04% e projeção estoura teto da meta do BC

© Marcello Casal JrAgência Brasil

Pressão da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis influencia alta do IPCA esperado para 2026, enquanto Banco Central monitora impactos sobre juros e economia

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir e ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 5,04% em 2026.

Esta foi a décima primeira alta consecutiva nas projeções do mercado. O aumento das expectativas ocorre em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio, que vem pressionando os preços internacionais dos combustíveis e contribuindo para o avanço da inflação.

A meta oficial definida pelo CMN é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o teto permitido é de 4,5%, patamar já superado pela nova estimativa dos analistas.

Em abril, o IPCA ficou em 0,67%, impulsionado principalmente pelo aumento dos alimentos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, a inflação alcançou 4,39%, ainda dentro do limite máximo da meta.

Para os próximos anos, o mercado também revisou as expectativas. A projeção da inflação para 2027 passou de 4% para 4,01%. Já para 2028 e 2029, as estimativas ficaram em 3,65% e 3,5%, respectivamente.

Selic segue em foco

Para controlar a inflação, o principal instrumento utilizado pelo Banco Central é a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, ela está em 14,5% ao ano.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, o BC decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das tensões internacionais.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas. A desaceleração da inflação havia aberto espaço para o início da redução dos juros, mas a alta dos combustíveis e alimentos voltou a gerar preocupação.

Em ata divulgada após a reunião, o Copom afirmou que acompanha atentamente os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação global e doméstica. O próximo encontro do colegiado está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

Segundo o Focus, a expectativa para a Selic ao final de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano. Para 2027 e 2028, o mercado prevê queda para 11,25% e 10%, respectivamente.

PIB e dólar

O boletim também trouxe revisão nas expectativas para a economia brasileira. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,85% para 1,89%.

Para 2027, no entanto, a expectativa caiu de 1,77% para 1,7%. Já para 2028 e 2029, a previsão segue em crescimento de 2% ao ano.

Em relação ao câmbio, o mercado estima que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,17. Para o fim de 2027, a previsão é de R$ 5,26.