Violência política de gênero é tema de debate na CLDF

Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

 

 

Parlamentares, advogadas e representantes do governo relataram episódios de discriminação, silenciamento e exclusão de mulheres nos espaços de poder do Distrito Federal

A violência política de gênero e os desafios enfrentados pelas mulheres nos espaços de poder foram tema de audiência pública realizada nesta terça-feira (19), na Câmara Legislativa do Distrito Federal, durante a programação da 7ª Semana Legislativa pela Mulher. O debate reuniu parlamentares, representantes do governo e da sociedade civil para discutir práticas discriminatórias que limitam a participação feminina na política.

Entre os exemplos citados durante a audiência estão interrupções constantes de fala, desqualificação da competência profissional, exclusão de decisões importantes, difamação e até desvio de recursos destinados a candidaturas femininas.

A procuradora Especial da Mulher da CLDF, deputada distrital Jaqueline Silva, relatou situações enfrentadas ao longo da trajetória política. Segundo ela, no início do primeiro mandato, em 2019, ouviu comentários que questionavam sua capacidade de atuação no Legislativo.

“Falavam que eu não daria conta, que era apenas mais uma mulher frágil, apenas uma comerciante”, afirmou a parlamentar.

Jaqueline também relembrou episódios ocorridos quando assumiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais importantes da Casa. “Ouvi palavras muito infelizes, como se nós não pudéssemos ocupar espaços de poder. Isso me entristeceu, mas também me deu mais força para continuar lutando”, destacou.

A deputada ainda chamou atenção para a baixa representatividade feminina na CLDF, que atualmente possui apenas quatro mulheres entre os 24 parlamentares distritais. Para ela, a presença feminina nos espaços políticos é fundamental para a construção de políticas públicas voltadas às mulheres.

Outro relato marcante foi feito pela subsecretária de Ações Temáticas e Participação Política da Secretaria da Mulher do DF, Dayanne Timóteo. Ela contou que, há cerca de sete anos, quando ocupava um cargo de alta gestão e era a única mulher entre os subsecretários, recebeu a orientação de “entrar muda e sair calada” antes de um evento oficial.

Apesar do episódio, Dayanne afirmou que decidiu denunciar o caso e reforçou a importância de romper o silêncio diante desse tipo de violência. “Falar sobre violência política de gênero é falar sobre vozes femininas que tentaram calar ao longo da história”, declarou.

Durante a audiência, a presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Distrito Federal, Stefany Vilar, ressaltou que muitas mulheres ainda têm dificuldade em reconhecer que são vítimas de violência política de gênero.

Segundo Stefany, a falta de acolhimento e de mecanismos efetivos de fiscalização faz com que muitas mulheres abandonem a vida pública. Ela também afirmou que a OAB pretende intensificar a fiscalização durante o período eleitoral e reforçou o combate às chamadas candidaturas femininas fictícias.

“Não existe democracia sem a participação efetiva das mulheres”, afirmou a advogada.

A programação da 7ª Semana Legislativa pela Mulher segue até quinta-feira (21), com debates e atividades voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao fortalecimento da participação feminina nos espaços de decisão.