Urnas eletrônicas completam 30 anos em meio a desafios contra a desinformação

© Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Pesquisa aponta que mais de 45% das fake news eleitorais nos últimos anos tiveram como alvo o sistema eletrônico de votação

 

 

As urnas eletrônicas completaram 30 anos de utilização no Brasil nesta quarta-feira (13) em meio ao avanço de narrativas de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. Um levantamento do Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, revelou que mais de 45% dos conteúdos falsos compartilhados nas eleições recentes tinham como foco ataques ao funcionamento das urnas eletrônicas.

Segundo a pesquisa, os conteúdos desinformativos mais frequentes envolviam alegações falsas sobre falhas técnicas nas urnas, supostas manipulações no momento do voto e teorias de fraude na apuração eleitoral.

Entre os exemplos identificados estão mensagens que afirmavam existir atraso no botão “confirma” ou que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor, informações consideradas falsas pelos especialistas.

A coordenadora do Projeto Confia, Helena Salvador, explicou que esse tipo de narrativa explora o desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema eleitoral eletrônico.

“As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação”, afirmou.

De acordo com o estudo, depois dos ataques às urnas eletrônicas, aparecem conteúdos contra o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, com 27,1%, além de teorias sobre fraude na apuração dos votos, com 21,8%, e desinformação sobre regras eleitorais e logística da votação, com 15,4%.

A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos divulgados durante as eleições de 2022 e 2024. Desses, 716 materiais passaram por análise qualitativa aprofundada. Segundo o levantamento, 326 mensagens continham ataques relacionados diretamente às urnas eletrônicas.

Para Helena Salvador, a pouca familiaridade da população com o equipamento favorece a circulação das fake news.

“As pessoas só têm acesso à urna a cada dois anos, no domingo de votação. Isso faz com que muita gente não tenha como checar rapidamente uma notícia falsa”, explicou.

O estudo também busca auxiliar na preparação de estratégias de combate à desinformação para as eleições de 2026. Segundo a coordenadora, o objetivo é fortalecer respostas rápidas contra ataques ao sistema eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral utiliza as urnas eletrônicas desde 1996. O sistema é considerado uma das principais ferramentas de modernização do processo eleitoral brasileiro.

Além do estudo do Projeto Confia, uma pesquisa da Quaest divulgada em fevereiro apontou que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, um levantamento do Datafolha divulgado pelo TSE indicava confiança de 82% no sistema.

Segundo os dados mais recentes, pessoas com 60 anos ou mais registram índice de confiança de 53%, enquanto entre jovens de 16 a 34 anos o percentual chega a 57%. Já na faixa entre 35 e 50 anos, metade dos entrevistados afirmou não confiar nas urnas eletrônicas.

Helena Salvador destacou que a circulação de conteúdos falsos ocorre de maneira cada vez mais sofisticada nas redes sociais e reforçou a necessidade de ampliar a compreensão pública sobre o funcionamento do sistema eleitoral.

Informações: Agência Brasil