
Operação Compliance Zero apura relação entre projetos legislativos e benefícios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de favorecimento político envolvendo o senador Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo as investigações, o parlamentar teria apresentado propostas legislativas de interesse do banqueiro em troca de vantagens econômicas. Entre elas está a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024 à PEC nº 65. O texto propunha ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
De acordo com a Polícia Federal, assessores do Banco Master teriam elaborado o texto da emenda e entregue o material na residência do senador para apresentação ao Congresso Nacional. Investigadores afirmam ainda que Daniel Vorcaro teria comentado com interlocutores que a proposta “saiu exatamente como mandei”, indicando influência direta na elaboração da medida.
A PF aponta que a mudança poderia ampliar significativamente os negócios do banco e causar forte impacto no mercado financeiro.
As investigações também apuram supostas vantagens econômicas recebidas pelo senador, incluindo a compra de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. por valor muito abaixo do estimado de mercado. Segundo a apuração, uma participação avaliada em cerca de R$ 13 milhões teria sido adquirida por apenas R$ 1 milhão por meio da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.
Com base nas informações reunidas pela Polícia Federal e no parecer do Ministério Público, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou medidas cautelares contra os investigados. Entre elas, a proibição de contato entre Ciro Nogueira, investigados e testemunhas do caso.
O ministro também autorizou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do banqueiro. Já o irmão do senador foi proibido de deixar o país, deverá usar tornozeleira eletrônica e está impedido de manter contato com outros envolvidos.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. O advogado criticou ainda o uso de medidas investigativas consideradas “graves e invasivas” com base em troca de mensagens entre terceiros.









