Caso Henry Borel: mãe e padrasto vão a júri popular no Rio após cinco anos

© Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior são acusados pela morte da criança de 4 anos em 2021

 

 

Começa nesta terça-feira (23), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o julgamento de Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, acusados pela morte do menino Henry Borel. O caso, que chocou o país em 2021, será analisado por júri popular após cinco anos de espera.

Na chegada ao fórum, o pai da criança, Leniel Borel, afirmou que o julgamento representa um marco após anos de luto e պայք por justiça. Segundo ele, o tempo desde a morte do filho já supera o período de convivência que teve com o menino.

Henry morreu aos 4 anos, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Inicialmente, o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico, após levá-la a um hospital particular da região.

Laudo apontou múltiplas lesões

O laudo do Instituto Médico-Legal indicou que Henry apresentava 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna. As investigações da Polícia Civil concluíram que a criança era vítima de agressões recorrentes.

De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o menino foi submetido a episódios de tortura e violência física, atribuídos ao padrasto, enquanto a mãe teria se omitido diante das agressões.

Os dois foram presos em abril de 2021. Jairo Souza Santos Júnior responde por homicídio qualificado, e Monique Medeiros por homicídio por omissão, na condição de responsável legal pela criança.

Manifestações por justiça

Em frente ao tribunal, manifestantes se reuniram pedindo justiça pela morte de Henry, em um ato que relembra a comoção nacional gerada pelo caso.

Para a acusação, as provas reunidas ao longo da investigação são consistentes e demonstram a responsabilidade dos réus. Já a defesa de Jairinho sustenta que houve irregularidades na produção de laudos periciais.

O julgamento deve reunir depoimentos, análise de provas e debates entre acusação e defesa, em um dos casos criminais de maior repercussão recente no país.