quarta-feira, 24 de junho de 2026 18:18
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Exames para detectar câncer de intestino triplicam no SUS em uma década

SUS – Foto: Reprodução

 

Avanço está ligado à conscientização da campanha Março Azul e maior adesão da população aos testes de rastreamento

 

O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou nos últimos dez anos, segundo levantamento divulgado durante a campanha Março Azul. Os dados indicam crescimento expressivo tanto na realização de testes de sangue oculto nas fezes quanto de colonoscopias, reforçando o avanço das estratégias de prevenção no país.

Entre 2016 e 2025, os exames de sangue oculto nas fezes passaram de 1.146.998 para 3.336.561 — um aumento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias cresceram de 261.214 para 639.924 no mesmo período, representando avanço de cerca de 145%.

Em 2025, o maior volume de exames foi registrado no estado de São Paulo, com mais de 1,17 milhão de testes. Na sequência aparecem Minas Gerais e Santa Catarina. Por outro lado, os menores números foram observados em Amapá, Acre e Roraima.

Conscientização impulsiona procura

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Eduardo Guimarães Hourneaux, o aumento está diretamente relacionado às campanhas de conscientização e ao engajamento de entidades médicas.

Segundo ele, ações como iluminação de prédios, mutirões e campanhas educativas têm incentivado a população a procurar atendimento e realizar exames preventivos. “A campanha tem transformado o medo em atitude e esperança”, destacou.

Influência de casos públicos

O debate sobre o câncer de intestino também ganhou força com casos envolvendo personalidades conhecidas. O médico cita exemplos como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite, que ajudaram a ampliar a visibilidade da doença.

De acordo com análise preliminar da campanha, entre o diagnóstico de Preta Gil, em 2023, e sua morte dois anos depois, houve aumento de 18% nos exames de sangue oculto nas fezes e de 23% nas colonoscopias no SUS.

Especialistas destacam que depoimentos públicos contribuem para alertar a população sobre sintomas e reforçar a importância do diagnóstico precoce — fator determinante para aumentar as chances de cura.

Preocupação com o futuro

A campanha Março Azul, promovida por entidades como a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Federação Brasileira de Gastroenterologia, ocorre nacionalmente desde 2021 e conta com apoio de diversas instituições médicas.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, as mortes prematuras por câncer de intestino devem crescer até 2030. Entre os fatores estão o envelhecimento da população, o aumento de casos entre jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.

Especialistas reforçam que a ampliação do acesso aos exames e a conscientização contínua são fundamentais para conter o avanço da doença no país.