IBGE aponta crescimento de 2,3% do PIB em 2025

- Foto: Ricardo Botelho/MInfra

 

Economia brasileira avança 0,1% no quarto trimestre e registra quinto ano seguido de expansão

 

 

A economia brasileira cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 na comparação com o trimestre anterior. Com o resultado, o país fechou o ano com expansão de 2,3%, registrando o quinto ano consecutivo de crescimento.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 12,7 trilhões em 2025. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687, com crescimento real de 1,9% em relação a 2024, descontada a inflação.

Segundo o instituto, tanto o PIB total quanto o per capita atingiram o maior nível da série histórica iniciada em 1996.

Crescimento nos últimos cinco anos

  • 2021: 4,8%

  • 2022: 3%

  • 2023: 3,2%

  • 2024: 3,4%

  • 2025: 2,3%

Destaques por setor

Pela ótica da produção, todas as grandes atividades econômicas registraram crescimento em 2025, com destaque para a agropecuária:

  • Agropecuária: 11,7%

  • Serviços: 1,8%

  • Indústria: 1,4%

A agropecuária foi responsável por 32,8% do crescimento do PIB no ano, impulsionada por recordes na produção de milho (23,6%) e soja (14,6%).

Na indústria, o principal destaque foi a extração de petróleo e gás, que levou as indústrias extrativas a crescerem 8,6%. A construção avançou 0,5%.

No setor de serviços, todas as atividades apresentaram alta, com destaque para informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).

As quatro atividades que mais contribuíram para o crescimento — agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação — responderam por 72% da expansão econômica em 2025.

Consumo e investimentos

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, influenciado pela melhora do mercado de trabalho, expansão do crédito e programas de transferência de renda. O resultado, porém, representa desaceleração frente aos 5,1% registrados em 2024.

O consumo do governo avançou 2,1%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) cresceu 2,9%, puxada pela importação de bens de capital, desenvolvimento de software e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. Já a taxa de poupança subiu para 14,4%.

Quarto trimestre e juros

No quarto trimestre, o crescimento de 0,1% refletiu alta de 0,8% nos serviços e de 0,5% na agropecuária, enquanto a indústria recuou 0,7%. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias ficou estável, o do governo subiu 1% e os investimentos caíram 3,5%.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, afirmou que a estabilidade do consumo das famílias e o avanço do gasto público compensaram a retração dos investimentos.

A desaceleração observada em 2025 está associada ao aperto monetário conduzido pelo Banco Central do Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 10,5% ao ano, em setembro de 2024, para 15% em junho de 2025, patamar mantido até o fim do ano.

A alta dos juros foi adotada para conter a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que permaneceu por 13 meses fora do intervalo de tolerância da meta oficial de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Apesar do cenário de juros elevados, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e realizar comparações ao longo do tempo ou entre países.

Embora seja uma referência central para medir a atividade econômica, o PIB não reflete aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida da população.