segunda-feira, 15 de junho de 2026 20:20
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Pesquisa revela alta incidência de violência obstétrica em maternidades

Foto de freestocks na Unsplash

Inquérito aponta que dois terços das mulheres relataram algum tipo de violência durante o parto; toques vaginais inadequados lideram as denúncias

A Pesquisa Nascer no Brasil 2, divulgada nesta quarta-feira (3) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelou que cerca de dois terços das mulheres atendidas em maternidades do Rio de Janeiro entre 2021 e 2023 sofreram violência obstétrica. O levantamento ouviu 1.923 mulheres em 29 unidades públicas, privadas e mistas em todas as regiões do estado.

A forma mais comum de violência relatada foi a realização de toques vaginais inadequados, sem explicação ou consentimento, apontada por 46% das entrevistadas. Em seguida, aparecem casos de negligência (31%), como longas esperas por atendimento e sensação de abandono, e de abuso psicológico (22%), com relatos de broncas e repreensões por parte dos profissionais de saúde.

Grupos mais vulneráveis

Segundo a coordenadora-geral da pesquisa, Maria do Carmo Leal, as mulheres mais afetadas foram as jovens, adolescentes, mais velhas, de baixa escolaridade e beneficiárias de programas sociais. O estudo também indica que a violência é mais frequente no setor público e em partos vaginais, devido ao maior tempo de contato com a equipe de saúde.

Procedimentos proibidos

A pesquisa registrou ainda 53 casos da manobra de Kristeller — técnica em que o profissional pressiona ou sobe sobre o corpo da parturiente para acelerar a saída do bebê. A prática é proibida por lei estadual desde 2016 e desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, devido aos riscos para mãe e recém-nascido.

Impacto

O levantamento destaca que, caso a prevalência observada seja projetada para todos os nascimentos ocorridos no estado em 2022, cerca de 5,6 mil mulheres teriam sofrido formas graves de violência física durante o parto no Rio de Janeiro.

Os dados nacionais completos da Pesquisa Nascer no Brasil 2 devem ser divulgados em 2026 e prometem trazer um panorama ainda mais detalhado sobre a violência obstétrica no país.