segunda-feira, 29 de junho de 2026 03:03
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Google diz ao STF que não pode cumprir ordem de Moraes sobre minuta do golpe

Plataforma alega que não possui dados solicitados por Alexandre de Moraes e afirma que conteúdo é responsabilidade de sites de terceiros


O Google informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (18), que não tem condições técnicas de cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes para fornecer informações sobre quem publicou na internet uma cópia da minuta do golpe. O documento foi encontrado em 2023 na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e é peça central nas investigações sobre a tentativa de reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.

De acordo com o comunicado enviado ao STF pelo escritório de advocacia que representa a plataforma no Brasil, a empresa alegou que não hospeda conteúdo de terceiros e, por isso, não possui os dados solicitados. O Google sugeriu que a solicitação de informações seja feita diretamente aos administradores dos sites onde a minuta foi publicada.

“A Google informa a impossibilidade de processamento da ordem de fornecimento de dados que lhe foi direcionada, sem prejuízo de que informações e dados referentes a publicações em sites de terceiros sejam requeridas diretamente a seus administradores”, afirmou a empresa.

Segundo o Google, o pedido do ministro não especifica a URL do conteúdo hospedado ou vinculado aos seus serviços. A empresa também reiterou que o buscador apenas organiza conteúdos já disponíveis na internet, sem controle sobre a hospedagem ou autoria desses materiais.

Defesa de Anderson Torres tenta afastar vínculo com minuta

A solicitação de Moraes atendeu a um pedido da defesa de Anderson Torres, que busca minimizar a relevância da minuta apreendida em sua residência durante uma operação da Polícia Federal (PF). O ex-ministro é um dos réus do núcleo 1 da suposta trama golpista investigada pelo STF.

Os advogados de Torres argumentam que a minuta circula publicamente na internet, com o objetivo de sustentar que o material não teria valor probatório exclusivo. Após obter os dados solicitados ao Google, a defesa pretende pedir uma perícia técnica para demonstrar que a versão do documento encontrada com o ex-ministro não seria a mesma discutida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com os ex-comandantes das Forças Armadas.

O caso continua sob análise do Supremo Tribunal Federal, e a resposta do Google poderá influenciar os próximos passos da investigação sobre a suposta tentativa de intervenção institucional com base na minuta do golpe.