quarta-feira, 22 de julho de 2026 16:16
Home Notícias Congresso Nacional recorre ao STF contra suspensão das emendas pix

Congresso Nacional recorre ao STF contra suspensão das emendas pix

Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília

 

Parlamentares criticam “autonomia desmedida” do Executivo no controle do Orçamento e alertam para riscos à execução de obras e programas

 

 

O Congresso Nacional apresentou, nesta quinta-feira (8), um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a suspensão das emendas Pix, alegando que a decisão confere “autonomia desmedida” ao Executivo no controle do Orçamento. A suspensão foi mantida pelo ministro Flávio Dino, do STF, poucas horas antes do recurso ser protocolado pela Câmara e pelo Senado.

A suspensão das emendas Pix foi solicitada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que questionou a falta de transparência desse mecanismo de transferência de recursos. Em resposta, a representação jurídica do Congresso defendeu que a Constituição estabelece uma divisão clara entre os Poderes na gestão do Orçamento e que a decisão do STF subverte essa divisão, atentando contra as bases do Estado Democrático de Direito.

O Congresso argumentou que a interrupção das transferências pode ter graves consequências para o interesse público, interrompendo a execução de obras e programas essenciais e gerando insegurança jurídica. As emendas Pix permitem a transferência especial de recursos da União a estados e municípios por indicação individual de parlamentares, sem necessidade de projetos ou convênios específicos, o que levanta preocupações sobre a destinação dos recursos.

Em seu recurso, o Congresso defendeu a natureza dessas transferências, afirmando que elas garantem flexibilidade e autonomia aos estados e municípios. Apesar de reconhecer a necessidade de maior rastreabilidade do dinheiro público, o Congresso sustentou que cabe ao Legislativo, e não ao Judiciário, estabelecer os critérios para o Orçamento.

Na decisão, o ministro Flávio Dino manteve a exigência de critérios de transparência e rastreabilidade para as transferências. Ele autorizou apenas a execução de emendas em casos de obras em andamento e calamidade pública, enquanto o recurso do Congresso alertou que a suspensão das emendas Pix poderia comprometer áreas como a saúde, que demandam respostas rápidas e flexíveis.

Além disso, o ministro Dino determinou que o Congresso envie informações sobre as emendas de comissão (RP8), que também têm sido utilizadas desde a proibição do Orçamento secreto, em 2022.