quarta-feira, 23 de setembro de 2026 18:18
Home Notícias Eleições 2026: veja como avaliar candidatos antes de decidir o voto

Eleições 2026: veja como avaliar candidatos antes de decidir o voto

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Especialistas recomendam conhecer as próprias prioridades, as atribuições de cada cargo, o histórico dos candidatos e o posicionamento dos partidos antes da votação.

A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições 2026, parte dos eleitores ainda não definiu seus votos. Em meio às notícias sobre o caso Master e a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o debate sobre propostas e programas de governo também ganhou espaço entre as preocupações apontadas por especialistas.

Para ajudar o eleitor a fazer uma escolha informada, especialistas ouvidos pela Agência Brasil indicam alguns critérios que podem ser considerados antes da votação. Entre eles estão conhecer as próprias prioridades, entender as atribuições de cada cargo, analisar o histórico dos candidatos, verificar quem financia as campanhas e observar o posicionamento dos partidos.

1. Conheça suas prioridades

Antes de analisar candidatos e propostas, especialistas recomendam que o eleitor reflita sobre sua própria realidade e os problemas que considera prioritários.

Questões como condição social e econômica, visão de mundo e expectativas em relação ao poder público podem influenciar a avaliação de uma proposta. Interesses podem ser diferentes entre trabalhadores, empresários, profissionais autônomos, homens e mulheres e outros grupos da sociedade.

Segundo o professor de Ciência Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), João Feres Júnior, é importante que o eleitor tenha clareza sobre seus interesses políticos e econômicos.

Para ele, diferentes partidos e candidatos podem priorizar grupos distintos da população, e nem sempre o eleitor consegue identificar quais propostas correspondem às suas próprias prioridades.

2. Entenda o que cada cargo pode fazer

Conhecer as atribuições de cada cargo é outra etapa importante para evitar falsas promessas. Um candidato ao Legislativo, por exemplo, não tem as mesmas competências de um presidente, governador ou prefeito.

A socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que parte dos eleitores ainda tem pouca informação sobre as funções dos legisladores.

Presidente da República

Cabe ao presidente exercer o Poder Executivo federal, nomear ministros, comandar as Forças Armadas, encaminhar propostas orçamentárias ao Congresso, sancionar ou vetar leis, manter relações com outros países e celebrar tratados e convenções internacionais, entre outras atribuições.

Governadores

Os governadores administram os estados e podem nomear secretários, sancionar ou vetar leis estaduais, administrar a segurança pública e a rede estadual de ensino, além de cuidar de hospitais regionais e da infraestrutura de rodovias estaduais, entre outras funções.

Deputados

Deputados federais atuam no Congresso Nacional, enquanto deputados estaduais e distritais atuam, respectivamente, nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entre suas atribuições estão elaborar e aprovar leis, fiscalizar o Executivo e participar da definição do orçamento público.

Senadores

Os senadores representam os estados e o Distrito Federal no Congresso Nacional. Eles participam da elaboração e votação de leis federais, além de exercerem atribuições como sabatinar indicados para determinados cargos e julgar autoridades nos casos previstos pela Constituição.

3. Analise ações, histórico e propostas

Além do discurso eleitoral, especialistas recomendam verificar o currículo, a trajetória política e as propostas de cada candidato.

Também é possível observar quem financia ou apoia a candidatura, quais partidos integram a coligação e quais setores da sociedade estão entre os principais apoiadores.

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Uribam Xavier de Holanda, analisar essas informações exige tempo e atenção, especialmente quando envolve financiamento de campanha e utilização de recursos públicos.

No caso de candidatos que já ocupam cargos políticos, o histórico de atuação e de votações também pode ser consultado para comparar o que foi prometido com o que efetivamente foi feito.

As propostas de governo, declarações de bens e prestações de contas das candidaturas, incluindo informações sobre doadores, podem ser consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

4. Observe o partido

O candidato não atua de forma isolada. No Legislativo, a orientação dos partidos pode influenciar o posicionamento dos parlamentares em votações.

A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, da Universidade Federal do Pará (UFPA), recomenda que o eleitor conheça não apenas as propostas e a trajetória individual do candidato, mas também o programa e o histórico do partido.

Entre os pontos que podem ser observados estão o comportamento da legenda em votações, as pautas que costuma apoiar, sua linha política e as alianças estabelecidas com outras siglas.

5. Cuidado com os chamados puxadores de voto

Nas eleições proporcionais, para deputados federais, estaduais e distritais, os votos recebidos pelos candidatos de um mesmo partido ou federação são considerados no cálculo que define o número de cadeiras conquistadas pela legenda.

Isso permite que candidatos muito votados contribuam para a eleição de outros integrantes da mesma chapa, fenômeno conhecido como “puxador de votos”.

O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que partidos podem buscar candidatos com grande visibilidade, como celebridades, artistas e atletas, para ampliar a votação da legenda.

Por isso, o eleitor pode verificar a lista completa de candidatos do partido antes de escolher seu voto, evitando considerar apenas uma candidatura de grande exposição.

6. No dia da votação

O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro. Segundo o TSE, 158.745.463 eleitores estão aptos a votar no pleito, que escolherá presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

O eleitor pode levar uma anotação em papel com os números das candidaturas escolhidas para consultar na cabine. A Justiça Eleitoral recomenda a chamada “colinha” para facilitar a votação. A ordem será deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente.

O celular e outros equipamentos que possam registrar ou transmitir o voto não podem ser levados para a cabine. Os aparelhos devem ser desligados e deixados em local próprio antes da votação.

O eleitor também pode fazer manifestação individual e silenciosa de preferência, como usar broches, adesivos ou camisetas. Já manifestações coletivas, ruidosas, abordagens e tentativas de influenciar outros eleitores são proibidas.

casinolevantcasinolevantbetsmove123casibom