segunda-feira, 14 de setembro de 2026 15:15
Home Notícias Manchetes Seu Voto Importa enfrenta diferenças regionais e desafios para atender idosos

Seu Voto Importa enfrenta diferenças regionais e desafios para atender idosos

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

 

Mapeamento do data8 aponta que programa de transporte para eleitores com deficiência e mobilidade reduzida já alcança centenas de municípios, mas ainda não foi implementado em alguns estados

 

 

O programa Seu Voto Importa, criado para facilitar o deslocamento de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida até os locais de votação, apresenta diferenças na implementação entre os estados brasileiros. Levantamento realizado pelo data8 mostra que a iniciativa já alcança mais de 300 municípios em São Paulo e 358 em Minas Gerais, enquanto estados como Amazonas e Mato Grosso do Sul ainda não implementaram o serviço.

O programa atende eleitores que não dispõem de meios próprios para chegar às urnas e inclui, entre os beneficiários, pessoas idosas que enfrentam dificuldades de deslocamento.

Outro ponto identificado pelo mapeamento é a falta de ações abrangentes voltadas aos eleitores com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, o voto é facultativo, e as iniciativas para informar esse público sobre a possibilidade de solicitar transporte ainda são consideradas pontuais.

O prazo para solicitar o serviço no primeiro turno das eleições termina nesta segunda-feira (14).

Como funciona o Seu Voto Importa

Criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio da Resolução nº 23.753/2026, o Seu Voto Importa estabelece diretrizes para que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ofereçam transporte a eleitores que enfrentam dificuldades para chegar às seções eleitorais.

A norma considera os idosos como pessoas com mobilidade reduzida quando houver dificuldade ou impedimento para realizar o deslocamento por meios próprios.

O pedido pode ser feito pelo próprio eleitor ou por curador, apoiador ou procurador. A solicitação pode ocorrer presencialmente no cartório eleitoral ou pelos canais disponibilizados por cada TRE.

Os pedidos são analisados individualmente, levando em consideração fatores como o grau de limitação funcional, a existência de transporte público acessível e a distância entre a residência e o local de votação.

Quando aprovado, o serviço pode contemplar o transporte de ida e volta entre a residência e a seção eleitoral. Em situações necessárias para o exercício do voto, também pode ser incluído o deslocamento de um acompanhante.

A confirmação sobre a disponibilidade do serviço e as informações referentes ao transporte devem ser repassadas ao eleitor até 48 horas antes da votação. A oferta, no entanto, depende das condições materiais, orçamentárias e financeiras de cada tribunal, com prioridade para os casos considerados de maior vulnerabilidade.

Linguagem pode dificultar acesso ao serviço

Para Cléa Klouri, fundadora do data8 e coordenadora do mapeamento que integra o Movimento Voto 70+, a criação de uma política nacional para identificar e remover barreiras de acesso às urnas representa um avanço.

Entretanto, o levantamento aponta que a própria linguagem utilizada na política pública pode dificultar o acesso de parte do público. Embora a resolução reconheça os idosos como pessoas com mobilidade reduzida quando houver dificuldade ou impedimento para o deslocamento por meios próprios, pessoas de 75 ou 80 anos podem não se identificar espontaneamente com essa classificação.

Segundo a análise, as dificuldades de deslocamento e de acesso à informação afetam a participação eleitoral da população idosa de maneira geral. A partir dos 70 anos, porém, surge um desafio adicional: como o voto passa a ser facultativo, eliminar as barreiras físicas para chegar às urnas não é suficiente, necessariamente, para estimular a participação.

Abstenção entre idosos preocupa

De acordo com Cléa Klouri, o mapeamento identificou uma taxa elevada de abstenção entre pessoas com mais de 70 anos nas últimas eleições.

A coordenadora afirma que o Movimento Voto 70+ realizou uma campanha ao longo de 2026 para incentivar a participação desse grupo. Segundo ela, parte dos idosos pode deixar de votar por acreditar que sua opinião perdeu importância ou que não é mais considerada relevante.

“Fizemos uma campanha desde o início do ano para incentivar essas pessoas a votarem. Uma das razões é que pessoas a partir dessa idade acabam se sentindo um pouco invisibilizadas, acham que seu voto não tem mais importância, que ninguém mais quer saber sua opinião. Com toda a experiência que tiveram, elas têm muito a contribuir para o país”, explicou.

O Brasil possui atualmente cerca de 16 milhões de eleitores com mais de 70 anos, o equivalente a 10,6% do eleitorado apto. Nas eleições de 2022, dos aproximadamente 25 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas, cerca de 8 milhões pertenciam a essa faixa etária.

O grupo registrou, naquele pleito, uma taxa de abstenção próxima de 60%, reforçando o desafio de ampliar não apenas a acessibilidade física, mas também o acesso à informação e o estímulo à participação eleitoral da população idosa.