sábado, 12 de setembro de 2026 12:12
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Gilmar Mendes pede acesso integral a dados do celular de Vorcaro antes de julgamento no STF

 

Ministro quer que todos os integrantes do colegiado tenham acesso ao conteúdo extraído pela PF antes da análise do caso, marcada para terça-feira (15)

 

 

 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que adote medidas para garantir aos ministros que participarão do julgamento de terça-feira (15) acesso à íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em ofício encaminhado neste sábado (12), Gilmar reforçou um pedido feito anteriormente pelo ministro Cristiano Zanin e defendeu que, caso o relator do processo, André Mendonça, não disponibilize os arquivos, a própria Polícia Federal (PF) seja acionada com urgência para fornecer cópias do material aos gabinetes dos ministros.

O aparelho de Vorcaro permanece sob custódia da PF para preservar a cadeia de provas. O conteúdo extraído do celular deu origem a um relatório da corporação que identificou mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes.

O STF deverá analisar a validade desse relatório e questões relacionadas à possibilidade de investigação envolvendo Moraes no caso Master.

Gilmar aponta necessidade de acesso igualitário

Gilmar Mendes argumentou que todos os ministros envolvidos no julgamento devem ter acesso ao conjunto completo das informações. Para o decano, manter uma cópia do material exclusivamente no gabinete de Mendonça poderia comprometer a paridade entre os integrantes do colegiado.

Segundo Gilmar, o compartilhamento integral permitiria que cada ministro formasse sua própria convicção jurídica a partir de todos os dados disponíveis, evitando que a análise fosse baseada apenas em sínteses ou seleções do conteúdo.

Mendonça afirma que material está preservado

André Mendonça informou a Zanin que o aparelho físico original não está sob sua posse e permanece armazenado pela Polícia Federal. O relator afirmou que dispõe de uma cópia de segurança em um disco rígido criptografado, enviada pela PF em março de 2026 e mantida lacrada.

Mendonça disse ainda que nunca manuseou o conteúdo e que a cópia foi preservada como uma espécie de contraprova, caso os arquivos originais sejam perdidos.

O ministro também sustentou que a divulgação integral dos dados poderia prejudicar investigações ainda em andamento, além de comprometer o sigilo e a eficiência da persecução penal.

O relator negou haver desigualdade entre os ministros e afirmou que não possui acesso a informações que não tenham sido formalmente incorporadas ao processo.

Segundo Mendonça, a defesa de Vorcaro teve acesso à íntegra dos dados porque o material é devolvido aos advogados após a extração das informações.

Moraes critica condução do caso

Alexandre de Moraes também se manifestou sobre a condução do processo. O ministro acusou Mendonça de realizar um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo e afirmou que a medida poderia proteger “determinado grupo político”.

Moraes também argumentou que não cabe ao relator escolher quais documentos devem ficar disponíveis aos demais integrantes do colegiado.

A discussão faz parte de uma disputa interna no STF sobre a extensão do acesso às informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro.

Gilmar quer reunir processos relacionados

Na sexta-feira (11), Gilmar Mendes havia enviado outro ofício a Edson Fachin no qual pediu que a Presidência do STF assuma a condução dos processos relacionados ao caso e que questões envolvendo a atuação de Mendonça sejam consideradas no julgamento de terça-feira.

O ministro afirmou ter “sérias dúvidas” sobre se o processo está efetivamente pronto para ser analisado pelo Plenário. Entre os pontos que, segundo ele, precisam ser esclarecidos estão a natureza do procedimento, quem é investigado, qual é o objeto da apuração e qual questão concreta será submetida aos ministros.

Gilmar também defendeu que processos relacionados aos mesmos fatos e provas sejam reunidos sob a condução da Presidência da Corte. Na avaliação do ministro, a tramitação separada pode gerar decisões contraditórias e dificultar a compreensão do caso pelo colegiado.

Julgamento está marcado para terça-feira

Caso a sessão seja mantida, Gilmar sugeriu que Fachin apresente inicialmente ao Plenário uma visão geral dos fatos. O ministro também defendeu que questões preliminares sejam analisadas antes da discussão do mérito.

Entre elas está o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja reconhecida a nulidade do relatório da Polícia Federal elaborado a partir do celular de Vorcaro.

O acesso integral aos dados do aparelho se tornou um dos principais pontos de disputa antes do julgamento de terça-feira (15), quando o STF deverá analisar questões relacionadas ao relatório da PF e à eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Master.