quinta-feira, 30 de julho de 2026 12:12
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Hemorragia pós-parto responde por 27% das mortes maternas no mundo, aponta OMS

Foto de Patricia Prudente na Unsplash

 

Especialista defende melhoria da assistência ao parto e afirma que cesariana não é a solução para reduzir os casos de hemorragia.

A hemorragia pós-parto foi responsável por 27% das mortes maternas registradas no mundo em 2023, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição ocorre quando a mulher perde mais de 500 mililitros de sangue após um parto vaginal ou mais de 1.000 mililitros depois de uma cesariana, podendo provocar queda da pressão arterial, taquicardia, tontura e exigir intervenção médica imediata.

Embora a maioria dos casos ocorra em mulheres sem fatores de risco conhecidos e possa ser tratada quando identificada rapidamente, a elevada incidência da complicação levanta preocupações sobre a qualidade da assistência obstétrica.

Durante a 11ª edição do Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, realizada entre os dias 27 e 30 deste mês, o ginecologista obstetra e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rodolfo de Carvalho, afirmou que o elevado número de mortes por hemorragia pós-parto também reflete desigualdades de gênero.

Segundo o especialista, países em que as mulheres têm maior igualdade de direitos apresentam índices menores da complicação. Para ele, a persistência de mortes por uma condição cujo tratamento é amplamente conhecido demonstra falhas na assistência prestada às gestantes.

Rodolfo de Carvalho também comentou sobre a percepção de que a cesariana seria uma alternativa para evitar complicações durante o parto. De acordo com o médico, embora muitas mulheres vejam o procedimento como uma opção mais segura, a cirurgia não representa a solução para o problema e pode trazer consequências importantes para a saúde materna.

O obstetra defende que a redução da hemorragia pós-parto passa pelo fortalecimento da assistência ao parto normal, com atuação integrada entre enfermeiros obstétricos, médicos, anestesistas e equipes multiprofissionais. Ele destaca ainda a importância da oferta de analgesia durante o trabalho de parto, do acolhimento e da preparação das gestantes para garantir conforto e segurança durante todo o processo.

Para o especialista, a assistência adequada deve abranger desde o pré-natal até o puerpério, assegurando que as mulheres tenham seus direitos respeitados e recebam atendimento de qualidade. Segundo ele, a hemorragia pós-parto, em muitos casos, é consequência da falta de uma assistência obstétrica eficiente e humanizada.