
Diplomata foi convocado a Brasília para relatar os impactos das declarações do presidente argentino contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia receber, nos próximos dias, o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países. A iniciativa ocorre após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Antes de um eventual encontro com o presidente brasileiro, Bitelli deve se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, provavelmente na quarta-feira (29). O objetivo é apresentar uma avaliação sobre os impactos políticos e diplomáticos provocados pelas declarações de Milei e seus reflexos na relação bilateral.
Segundo fontes da diplomacia, a decisão de convocar o embaixador foi tomada por Mauro Vieira com o aval de Lula. O chanceler consultou o presidente por telefone logo após desembarcar no Brasil, na manhã de domingo (29), após retornar de uma viagem oficial às Filipinas.
A convocação foi motivada pelas declarações feitas por Javier Milei durante a convenção nacional que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), realizada no último sábado (25). O presidente argentino direcionou críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, aprofundando o desgaste entre os governos dos dois países.
Nos bastidores do governo brasileiro, o episódio é considerado um dos momentos mais delicados da relação entre Brasil e Argentina nas últimas décadas. Integrantes do Executivo classificam a situação como inédita ao longo dos 203 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Como resposta inicial, o Itamaraty recebeu neste domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. Após a reunião, o Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota oficial condenando as declarações de Milei.
No comunicado, a diplomacia brasileira afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”. O texto também lamenta que o episódio envolva “um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”.
Esta não é a primeira vez que Júlio Bitelli é chamado a Brasília desde o início do governo Milei. Em 2024, o embaixador já havia participado de consultas sobre o enfraquecimento da relação bilateral. Na ocasião, no entanto, o encontro ocorreu em um contexto considerado rotineiro pelo Itamaraty. Desta vez, integrantes do governo avaliam que a convocação reflete a gravidade das declarações recentes e o impacto sem precedentes na relação diplomática entre os dois países.









