terça-feira, 7 de julho de 2026 07:07
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Algoritmos das redes sociais aprendem com comportamento dos usuários, explica especialista

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Interações, tempo de visualização e histórico de navegação influenciam o conteúdo exibido em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.

Ao abrir redes sociais como Instagram, TikTok ou YouTube, o conteúdo exibido na tela já foi previamente selecionado por sistemas automatizados que analisam o comportamento de cada usuário. Em vez de uma ordem cronológica ou da escolha de um editor humano, são os algoritmos que definem quais publicações aparecem, em que sequência e com que frequência.

Segundo o especialista em inteligência artificial Daniel Delgado, esses sistemas aprendem continuamente com as ações dos usuários para montar um feed personalizado em questão de segundos. “Quem entende o jogo ganha controle real. Quem não entende ganha apenas a ilusão de escolha”, afirma.

De acordo com o especialista, o algoritmo não é um único programa, mas um conjunto de modelos que utilizam dados para determinar quais conteúdos têm maior probabilidade de prender a atenção de cada pessoa. O processo ocorre em três etapas: primeiro, o sistema reúne os conteúdos disponíveis; em seguida, filtra aqueles considerados mais relevantes; por fim, atribui uma pontuação a cada publicação antes de definir sua posição no feed.

Embora as plataformas afirmem que o objetivo seja oferecer uma experiência mais relevante ao usuário, Daniel destaca que existe também um interesse comercial. Segundo ele, manter as pessoas conectadas por mais tempo aumenta a receita obtida com publicidade.

A personalização dos conteúdos considera quatro fatores principais: o comportamento recente do usuário, as características da publicação, o relacionamento com quem produziu o conteúdo e informações de contexto, como localização, idioma, horário e tipo de dispositivo utilizado.

Entre todos esses critérios, o especialista afirma que o comportamento prático pesa mais do que as preferências declaradas. “O algoritmo dá mais peso ao que você faz do que ao que você diz que gosta. Você pode afirmar que adora conteúdo de finanças, mas, se na prática assiste mais a vídeos de humor, é humor que vai dominar o seu feed”, explica.

As formas de interação também possuem pesos diferentes para os algoritmos. Segundo Daniel, o tempo de permanência em um conteúdo é um dos sinais mais importantes. Reassistir a um vídeo, salvá-lo ou compartilhá-lo costuma indicar maior interesse do que apenas clicar em “curtir”. Comentários que geram conversas também têm relevância maior do que reações simples, como o uso de emojis.

Outro ponto abordado pelo especialista é a crença de que os aplicativos escutam as conversas dos usuários para exibir anúncios personalizados. Segundo ele, não há evidências de que isso ocorra dessa forma. A sensação de estar sendo ouvido pode ser explicada pela grande quantidade de dados coletados pelas plataformas, como histórico de navegação, localização, comportamento em aplicativos e cruzamento de informações entre dispositivos, além de fenômenos psicológicos relacionados à percepção de coincidências.

Para quem deseja influenciar o que aparece no próprio feed, Daniel recomenda interagir de forma intencional. Assistir aos vídeos até o fim, salvar conteúdos de interesse, comentar e compartilhar publicações ajudam a ensinar o algoritmo sobre as preferências do usuário. Da mesma forma, ocultar conteúdos indesejados, deslizar rapidamente ou utilizar a opção “não tenho interesse” também contribui para modificar as recomendações.

O especialista destaca ainda que plataformas como o Instagram passaram a oferecer ferramentas para redefinir completamente as sugestões de conteúdo. Após esse processo, ele recomenda dedicar alguns minutos apenas aos temas de interesse para “treinar” novamente o algoritmo.

Com o avanço da inteligência artificial, a tendência é que os sistemas se tornem ainda mais personalizados, utilizando milhões de dados em tempo real para adaptar conteúdos e anúncios ao perfil de cada usuário. Ao mesmo tempo, Daniel alerta que, embora existam mais opções de controle, compreender e utilizar essas ferramentas exigirá cada vez mais conhecimento e participação ativa dos usuários.