quarta-feira, 1 de julho de 2026 13:13
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Estudo associa sono acima de oito horas a maior risco de demência, mas especialistas fazem alerta

Foto de Gregory Pappas na Unsplash

Meta-análise aponta aumento de 28% no risco de desenvolver a doença; qualidade do sono é considerada mais importante do que apenas o tempo dormido

Dormir mais de oito horas por noite pode estar associado a um risco maior de desenvolver demência, segundo uma meta-análise que identificou um aumento de 28% na probabilidade de surgimento da doença entre pessoas que relataram longos períodos de sono. Apesar da associação, especialistas destacam que o excesso de sono, por si só, não é necessariamente a causa do problema e pode, na verdade, ser um sinal de outras condições de saúde.

Além da relação observada com doenças neurodegenerativas, dormir mais do que o necessário também pode provocar efeitos imediatos, como dificuldade para raciocinar rapidamente, sensação de corpo dolorido e cansaço persistente. O sono excessivo também pode estar relacionado a problemas como depressão, apneia do sono e doenças cardiovasculares.

Segundo o professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Alan Eckeli, a duração do sono não deve ser utilizada isoladamente como indicador de um descanso adequado.

De acordo com o especialista, fatores como despertares frequentes durante a noite, dificuldade para atingir as fases profundas do sono e a sensação de acordar cansado também interferem na recuperação do organismo e na saúde do cérebro. Assim, permanecer mais tempo na cama não significa, necessariamente, obter os benefícios esperados do descanso.

O neurologista explica que quantidade e qualidade do sono são aspectos diferentes, mas complementares, e variam de acordo com cada indivíduo. Ainda assim, ele recomenda atenção a sinais que podem indicar problemas relacionados ao sono, como sonolência excessiva durante o dia, cochilos involuntários, dificuldade de concentração, alterações de humor, irritabilidade e queixas frequentes de memória.

A meta-análise, publicada pela York University na revista científica PLOS One, reforça que existe uma faixa considerada mais favorável para a saúde. Segundo Eckeli, diversos estudos mostram que pessoas que dormem menos de seis horas ou mais de nove horas por noite costumam apresentar maior associação com desfechos negativos para a saúde.

Por outro lado, dormir entre sete e oito horas por noite aparece de forma consistente como o intervalo mais relacionado a melhores indicadores de saúde física e cognitiva.

Os especialistas ressaltam que a prevenção do declínio cognitivo vai além da quantidade de horas dormidas. A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, a redução do sedentarismo e hábitos saudáveis ao longo da vida também desempenham papel fundamental na preservação da saúde cerebral e na diminuição do risco de doenças neurodegenerativas.