terça-feira, 30 de junho de 2026 17:17
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Ministério da Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bilhões diante das mudanças climáticas

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF

Estratégia prevê ações até 2035 para enfrentar os impactos do El Niño e dos eventos climáticos extremos, com criação de centros especializados, sistema de alerta para ondas de calor e reforço da capacidade de resposta do SUS

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (30) um amplo plano para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos das mudanças climáticas e dos efeitos do fenômeno El Niño. A iniciativa prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035, com o objetivo de ampliar a capacidade de prevenção, resposta e reconstrução em situações de desastres climáticos.

Ao todo, o programa reúne 27 metas e 93 ações estratégicas, voltadas à preparação da rede pública de saúde para enfrentar eventos extremos, como ondas de calor, enchentes, secas, queimadas e outras ocorrências associadas às mudanças no clima.

Segundo o Ministério da Saúde, o plano busca antecipar riscos climáticos, emitir alertas preventivos, fortalecer os serviços de saúde, proteger populações vulneráveis e ampliar a capacidade de resposta do SUS em territórios afetados.

Cinco eixos estruturam o plano

A estratégia será desenvolvida com base em cinco frentes de atuação:

  • coordenação entre União, estados, municípios e Defesa Civil, por meio de salas de situação;
  • fortalecimento da capacidade operacional dos serviços de saúde, com mobilização de equipes e apoio a regiões isoladas;
  • comunicação com gestores, profissionais de saúde e população;
  • vigilância e sistemas de alerta para riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos;
  • reforço de insumos essenciais, como medicamentos, vacinas, água potável e estruturas de atendimento.

Centros especializados serão implantados

Entre as principais medidas está a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos pelas cinco regiões do país.

Essas unidades terão como missão monitorar riscos, coordenar ações de prevenção e apoiar a resposta rápida a emergências climáticas. O primeiro centro será inaugurado na Bahia.

Sistema nacional vai monitorar ondas de calor

Outra novidade é a implantação do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá monitorar eventos de calor extremo e emitir alertas com até cinco dias de antecedência.

O sistema deverá subsidiar ações de vigilância, prevenção e resposta, especialmente durante períodos de altas temperaturas que representam riscos à saúde da população.

Força Nacional do SUS será ampliada

O plano também prevê a expansão da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases distribuídas pelas cinco regiões brasileiras.

Segundo o ministério, a estrutura permitirá respostas mais rápidas a desastres naturais, emergências sanitárias e eventos de grande porte.

A meta é que as equipes consigam chegar a qualquer ocorrência em até 12 horas e iniciem ações compatíveis com a gravidade do desastre em um prazo máximo de 72 horas.

Orientações para proteger idosos durante ondas de calor

Como parte da estratégia de adaptação às mudanças climáticas, o Ministério da Saúde também elaborou um protocolo específico para proteção de idosos durante períodos de calor intenso.

Entre as recomendações estão:

  • oferecer água regularmente, mesmo na ausência de sede;
  • evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia;
  • manter os ambientes ventilados e frescos;
  • acompanhar o uso correto de medicamentos contínuos;
  • utilizar soro fisiológico para aliviar o ressecamento dos olhos e das narinas.

Mudanças climáticas são desafio para a saúde pública

Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os efeitos das mudanças climáticas representam um dos maiores desafios atuais para a saúde pública brasileira.

Segundo o ministro, além das políticas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, é urgente adaptar o sistema de saúde para enfrentar eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

Padilha citou um estudo da Fundação Oswaldo Cruz que aponta cerca de 120 mil mortes registradas nos últimos 20 anos relacionadas diretamente ao aumento da temperatura média em diversas regiões do Brasil.

Para o ministro, fortalecer a capacidade de resposta do SUS será fundamental para reduzir os impactos da crise climática sobre a população, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.