Fazenda eleva projeção da inflação para 4,5%

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Revisão oficial reflete impactos da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio

 

 

O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção oficial de inflação para este ano, levando a estimativa ao teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica.

Segundo a equipe econômica, a principal razão para o ajuste é a disparada do preço internacional do petróleo, intensificada pela guerra no Oriente Médio. O barril ultrapassou os US$ 110 no mercado internacional, pressionando os preços dos combustíveis e, consequentemente, a inflação.

De acordo com o relatório, o conflito na região elevou os custos do petróleo e de seus derivados, ampliando as pressões inflacionárias no país.

“A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informou a SPE.

Apesar do cenário, o governo argumenta que parte do impacto poderá ser amenizada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse da alta dos combustíveis ao consumidor.

Com a revisão, a projeção oficial ficou exatamente no limite superior do sistema contínuo de metas de inflação, que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para 2027, a estimativa de inflação também foi revisada e passou de 3% para 3,5%.

Mesmo com a deterioração do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Para 2027, a expectativa continua em 2,6%.

Segundo a avaliação da equipe econômica, a atividade deve desacelerar nos próximos trimestres em razão da política monetária restritiva, mas com retomada gradual no fim do ano.

O documento aponta mudanças na composição do crescimento econômico. A indústria perdeu participação, enquanto o setor de serviços ganhou maior contribuição e a agropecuária manteve seu desempenho.

O Boletim Macrofiscal orienta a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que será enviado ao Congresso Nacional e servirá de base para a execução do Orçamento federal. O relatório indicará eventuais bloqueios e contingenciamentos necessários para cumprir metas fiscais e limites de gastos.

As projeções oficiais seguem mais otimistas que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, instituições financeiras projetam inflação de 4,92% neste ano e crescimento econômico de 1,85%.

A equipe econômica também prevê impacto positivo da alta do petróleo sobre a arrecadação federal. Segundo cálculos da SPE, o aumento do preço da commodity pode gerar cerca de R$ 8,5 bilhões mensais em receitas adicionais.

O cálculo considera royalties, dividendos e tributos ligados ao setor petrolífero, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e imposto de exportação.

De acordo com a Secretaria de Política Econômica, esse reforço arrecadatório poderá ajudar a sustentar medidas fiscais diante do cenário internacional adverso.

Informações: Agência Brasil