Fecomércio-DF critica “taxa das blusinhas” de Lula

Foto: Cristiano Costa -Fecomércio-DF

 

Presidente da Fecomércio-DF afirma que medida do governo Lula sobre compras internacionais ameaça comércio, indústria nacional e empregos formais no Brasil

O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, criticou duramente a medida provisória editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que zerou a cobrança de impostos sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Para o dirigente do setor produtivo do Distrito Federal, a decisão representa uma ameaça direta ao comércio nacional, à indústria brasileira e à geração de empregos formais.

Em tom de preocupação e indignação, José Aparecido afirmou que a medida cria um cenário de concorrência desleal entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras. Segundo ele, enquanto o empresariado nacional enfrenta elevada carga tributária, custos trabalhistas e uma série de exigências regulatórias, empresas internacionais passam a atuar com vantagens competitivas muito superiores no mercado brasileiro.

“O setor produtivo do Distrito Federal recebe com enorme preocupação essa medida provisória do governo federal. Não estamos falando apenas de blusinhas, mas de uma ampla gama de produtos como eletrônicos, utensílios domésticos, acessórios, papelaria e itens da indústria têxtil nacional que abastecem o comércio brasileiro”, declarou o presidente da entidade.

José Aparecido destacou ainda que o impacto econômico da medida pode atingir diretamente micro e pequenas empresas, responsáveis por mais de 90% dos empreendimentos comerciais no Distrito Federal. Para ele, são justamente esses negócios que sustentam milhares de empregos e ajudam a movimentar a economia local.

O dirigente também alertou para os efeitos negativos nas contas públicas. De acordo com ele, a tributação das compras internacionais foi debatida amplamente entre o setor produtivo, o Congresso Nacional e o governo federal entre 2023 e 2024. Desde a entrada em vigor da cobrança, a arrecadação teria alcançado cerca de R$ 7,8 bilhões até o fim de 2025.

“Com essa nova medida, o país deixa de arrecadar bilhões em um momento de déficit histórico nas contas públicas. Além disso, o consumidor brasileiro pode acabar seduzido por produtos mais baratos e, muitas vezes, de baixa qualidade, enquanto o Brasil enfraquece sua indústria, reduz empregos formais e compromete sua soberania econômica”, afirmou.

Fecomércio-DF defende que o Congresso Nacional derrube a medida provisória e reavalie seus impactos econômicos e sociais a médio e longo prazo. Segundo José Aparecido, proteger o comércio nacional significa preservar empresas, trabalhadores, famílias e a capacidade produtiva do país.

“O setor produtivo do Distrito Federal diz não a essa medida provisória”, concluiu o presidente da entidade.