
Com início da temporada de inverno, autoridades de saúde reforçam vacinação e medidas preventivas diante do risco de sobrecarga hospitalar
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, destacando a predominância da variante K do vírus Influenza A(H3N2). Identificada pela primeira vez no ano passado, a cepa foi dominante no inverno do Hemisfério Norte e já apresenta sinais de avanço em países da América do Sul, incluindo o Brasil.
De acordo com a Opas, o cenário atual é compatível com o início gradual da temporada de inverno. Embora a atividade da influenza ainda seja considerada baixa, há indícios de crescimento, com predominância do vírus A(H3N2). A organização alerta que os países da região devem se preparar para uma temporada potencialmente intensa, com picos concentrados de demanda hospitalar.
No Brasil, o subclado K foi identificado em dezembro de 2025. Apesar de não estar associado a quadros mais graves, especialistas apontam que ele pode prolongar o período de transmissão. Dados recentes mostram que a taxa de positividade para influenza, que esteve abaixo de 5% no primeiro trimestre, subiu para 7,4% no fim de março.
O monitoramento realizado pelo Ministério da Saúde do Brasil indica que, entre 607 amostras analisadas até 21 de março, 72% correspondiam ao subclado K, evidenciando sua predominância.
Outros vírus em circulação
Além da influenza, a Opas também destacou o aumento gradual da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente preocupante para crianças pequenas e grupos de risco. O cenário se soma à presença ainda relevante de casos de Covid-19, o que pode elevar a pressão sobre os serviços de saúde.
O Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Boletim Infogripe, confirmou a tendência de alta nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o país. Entre 19 e 25 de abril, houve crescimento associado principalmente à Influenza A e ao VSR em todas as regiões.
Atualmente, 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Em 2026, já foram registrados mais de 46 mil casos da síndrome, com confirmação viral em 44,3% deles — sendo 26,4% por Influenza A e 21,5% por VSR.
Vacinação e prevenção
Diante do cenário, a Opas reforça a importância da vacinação como principal estratégia para reduzir internações e mortes. Mesmo com a nova variante, a vacina contra a gripe tem se mostrado eficaz, com proteção de até 75% contra hospitalizações infantis em experiências recentes no Hemisfério Norte.
No Brasil, a campanha nacional de vacinação contra a influenza está em andamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com prioridade para crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
O SUS também disponibiliza imunização contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, com o objetivo de proteger recém-nascidos contra bronquiolite e outras complicações pulmonares.
Além da vacinação, a Opas recomenda a adoção de medidas de higiene e etiqueta respiratória, como lavar as mãos com frequência, evitar locais públicos em caso de febre e manter crianças com sintomas em casa. Segundo a entidade, essas ações são fundamentais para conter a disseminação dos vírus durante os meses mais críticos do ano.









