segunda-feira, 22 de junho de 2026 18:18
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Endividamento das famílias brasileiras se mantém em nível recorde, aponta Banco Central

 

Comprometimento da renda cresce e governo prepara nova fase do Desenrola para renegociação de dívidas

 

O endividamento das famílias brasileiras com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) segue próximo ao maior nível da série histórica, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta segunda-feira (27). O indicador ficou em 49,8% em fevereiro, praticamente estável em relação a janeiro (49,9%) e equivalente ao pico registrado em julho de 2022.

Sem considerar as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,3% para 31,4% no período. Já o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas avançou de 29,5% para 29,7%. Excluindo o crédito habitacional, esse percentual subiu de 27,2% para 27,4%, evidenciando a pressão crescente sobre o orçamento doméstico.

Diante desse cenário, o governo federal deve lançar, no feriado do Dia do Trabalho, a segunda fase do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas em atraso. A iniciativa busca aliviar a situação financeira das famílias em meio ao alto nível de inadimplência.

Os dados do Banco Central também mostram avanço no crédito. O estoque de financiamentos habitacionais para pessoas físicas cresceu 1,0% em março, alcançando R$ 1,339 trilhão — alta de 11,6% em 12 meses. Já o crédito para compra de veículos subiu 0,8% no mês, totalizando R$ 411,6 bilhões, com crescimento anual de 16%.

No geral, as operações de crédito do SFN avançaram 0,9% em março, somando R$ 7,2 trilhões. Em 12 meses, o crescimento foi de 9,7%. Desse total, R$ 4,5 trilhões correspondem a crédito para famílias, enquanto R$ 2,7 trilhões são destinados a empresas.

Na modalidade de crédito livre — em que bancos têm autonomia para definir taxas e condições — o saldo chegou a R$ 4,1 trilhões, com alta de 1,1% no mês. Entre as pessoas físicas, o volume atingiu R$ 2,5 trilhões, impulsionado principalmente pelo uso do cartão de crédito à vista, crédito consignado e financiamentos de veículos.

Para empresas, o crédito livre somou R$ 1,6 trilhão, também com crescimento de 1,1% em março. O desempenho foi puxado por operações como desconto de duplicatas, capital de giro e uso de cartão de crédito.

Outro ponto de atenção é a alta dos juros. A taxa média das concessões chegou a 33,1% ao ano em março, com elevação de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,9 ponto percentual em 12 meses, o que contribui para o aumento do endividamento e dificulta a capacidade de pagamento das famílias.