
Estatal acumula 14 trimestres negativos, enfrenta alta de custos e aposta em ajustes operacionais para reequilibrar contas até 2027
Os Correios registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais de três vezes superior ao resultado negativo de 2024, quando o déficit foi de R$ 2,6 bilhões. O balanço financeiro da estatal será publicado no Diário Oficial da União.
Segundo a empresa, o resultado foi impactado principalmente pelo aumento das despesas com provisões para obrigações judiciais e pela elevação dos custos operacionais. Apenas os processos judiciais somaram R$ 6,4 bilhões no ano passado, um crescimento de 55,12% em relação a 2024, com destaque para ações trabalhistas envolvendo adicionais de periculosidade e atividades de entrega externa.
A receita bruta da estatal em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, queda de 11,35% em relação ao ano anterior, desconsiderados os repasses obrigatórios.
Diante do cenário de dificuldades financeiras, os Correios recorreram a credores e obtiveram um aporte de R$ 12 bilhões em empréstimos junto a bancos públicos e privados.
Crise prolongada e “ciclo vicioso”
A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de resultados negativos desde o último trimestre de 2022. O presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon, afirmou que a situação cria um ciclo de deterioração operacional.
“É um ciclo vicioso. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação”, disse o executivo, destacando que a rigidez da estrutura de custos impede ajustes rápidos em períodos de queda de receita.
Segundo ele, grande parte das despesas é fixa, o que dificulta a adaptação imediata ao cenário de redução de receitas.
Mudanças no mercado e perda de espaço
O desempenho negativo ocorre em meio a transformações estruturais no setor de logística e comunicação. A expansão do comércio eletrônico reduziu a dependência de serviços postais tradicionais, enquanto o avanço digital provocou a chamada “desmaterialização” da carta.
Esse processo ampliou a concorrência privada na logística, pressionando ainda mais a estatal.
Reestruturação e cortes de pessoal
Nomeado em setembro do ano passado, com mandato até 2027, Rondon conduz um plano de reestruturação da empresa. Entre as medidas adotadas estão dois programas de demissão voluntária (PDV).
Em 2025, 3.181 funcionários aderiram ao desligamento. No ciclo anterior, 3.756 empregados deixaram a estatal. A meta inicial era alcançar cerca de 10 mil desligamentos ao longo do processo.
A empresa também renegocia contratos, estende prazos com fornecedores e reduz custos operacionais, incluindo gastos com imóveis e manutenção de agências.
Privatização descartada
Apesar das dificuldades, o presidente dos Correios afirma que a privatização não está em discussão. Segundo ele, o foco está na recuperação financeira e na manutenção da estatal como empresa pública viável.
“Esse assunto não está na pauta aqui. Estamos trabalhando em um plano de gestão de recuperação”, afirmou Rondon, destacando que a decisão sobre privatização cabe ao governo federal.
A expectativa da atual gestão é que os resultados comecem a melhorar a partir de 2027, com a consolidação das medidas de ajuste e maior eficiência operacional.









