
Plano será operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e prioriza exportadores e áreas estratégicas como saúde, tecnologia e indústria
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) a liberação de R$ 15 bilhões em crédito para apoiar setores econômicos impactados pela guerra no Oriente Médio e pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. As prioridades foram detalhadas pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, durante coletiva no Palácio do Planalto.
A medida faz parte da segunda etapa do Programa Brasil Soberano, criado em 2025, e será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O objetivo é mitigar os efeitos das dificuldades enfrentadas por empresas brasileiras no comércio internacional e fortalecer setores considerados estratégicos.
Segundo Alckmin, o crédito atenderá especialmente empresas afetadas pelo chamado “tarifaço” norte-americano — implementado durante o governo de Donald Trump — além de companhias com dificuldades para exportar ao Golfo Pérsico e setores com déficit na balança comercial, como indústria farmacêutica, tecnologia da informação e química.
A liberação das linhas de financiamento foi viabilizada após aprovação de resolução pelo Conselho Monetário Nacional, que definiu as condições para a concessão dos recursos.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, três grupos de empresas poderão acessar o crédito. O primeiro inclui exportadoras de bens industriais e seus fornecedores impactados por tarifas dos Estados Unidos, especialmente nos setores de aço, cobre, alumínio, autopeças e móveis.
O segundo grupo abrange áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento produtivo do país, como os setores têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, de máquinas e equipamentos eletrônicos, além de informática e minerais críticos.
Já o terceiro contempla empresas exportadoras e fornecedores que atuam no mercado do Golfo Pérsico, incluindo países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, também afetados por instabilidades geopolíticas recentes.
As linhas de crédito poderão ser utilizadas para capital de giro, investimentos produtivos, aquisição de bens de capital e inovação tecnológica. As taxas variam entre 0,94% e 1,28% ao mês nas operações diretas com o BNDES, podendo chegar a 1,41% em operações indiretas via instituições financeiras. Os prazos de pagamento vão de cinco a 20 anos, com carência de até quatro anos para investimentos.
A iniciativa reforça a estratégia do governo de proteger a economia nacional diante de instabilidades externas e estimular a competitividade da indústria brasileira no cenário global.









